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domingo, 17 de fevereiro de 2019

Papinho furado de Domingo


Papinho furado de Domingo, 17 de fevereiro 2019
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Para quem gosta de ‘curiosidades’ – digamos assim -  da nossa Língua Portuguesa: “Está tudo como dantes no quartel d’Abrantes”.

Essa expressão surgiu no início do século 19, com a invasão de Napoleão Bonaparte à Península Ibérica.
Portugal foi tomado pelas forças francesas, porque havia demorou a obedecer ao Bloqueio Continental, imposto por Napoleão, que obrigava o fechamento dos portos a qualquer navio inglês.
Em 1807, uma das primeiras cidades a serem invadidas pelo general Jean Androche Junot, braço-direito de Napoleão, foi Abrantes, a 152 quilômetros de Lisboa, na margem do rio Tejo. Lá ele instalou seu quartel-general e, meses depois, se fez nomear duque d’Abrantes.

O general encontrou o país praticamente sem governo, já que o príncipe-regente dom João VI e toda a corte portuguesa haviam fugido para o Brasil.
Durante a invasão, ninguém em Portugal ousou se opor ao duque. A tranquilidade com que ele se mantinha no poder provocou o dito irônico.
A quem perguntasse como iam as coisas, a resposta era sempre a mesma:
“Está tudo como dantes no quartel d’Abrantes”.

Até hoje se usa a frase para indicar que nada mudou.
*

Meu pitaco: Entendo como a frustração da esperança em mudar uma situação desagradável.
Pertinente, pois.

sábado, 12 de janeiro de 2019

Breve resposta à postagem que rola por aí: 
“Diga quão velho você é – mas sem dizer a sua idade”

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas

Entre outras velharias...

Recebi e escrevi inúmeras cartas e telegramas (aliás, os novinhos aí sabem o que é um telegrama?). A ligação para outra cidade chamava-se interurbana e dependia de telefonista (profissão extinta, né?)

Ouvia músicas dos LP ou Compacto em um aparelho chamado eletrola.Depois em fitas cassete, depois CD, agora Spotify na web.

Odiava um perfume masculino de nome 'Lancaster' - até desisti de um namoro por isso.  Só podia ir ao cinema com o namorado se meu irmão fosse junto. Namoro em casa até, no máximo, 22 horas! 

TV Tupi só iniciava a transmissão a partir das 18 horas e terminava à meia noite! 

Dancei muito ao som das orquestras de Ray Conniff, Waldir Calmon, Burt Bacharach...Gostava e ainda gosto das composições musicais de Cole Porter, Tom Jobim...  
Curtia e ainda curto Elvis Presley, The Beatles, Rolling Stones e sou apaixonada pelas vozes das ‘Divas do Blues’

A 'véinha' tá aqui, seguindo em frente e se acostumando com as novidades tecnológicas – é claro eu me enrolo (às vezes, né?) -  graças a Deus. 

Uso diariamente a internet, mantenho página no facebook (não gosto de twitter e instagram) e até criei dois blogs sem relevância para os outros mas importantes para mim. Continuo gostando de escrever e o faço agora no computador, embora mantenha os manuscritos nas minhas antigas agendas. Afinal, sem passado como entender o presente ou se preparar para o futuro? Sei que o ‘meu’ futuro vai se reduzindo mas e daí?  Tô viva, não tô?

"Pode isso, Arnaldo?!" 
*
Sueli, 12 de janeiro 2019

*            *            *


terça-feira, 25 de setembro de 2018

Boas lembranças

Se há algo de bom em envelhecer é poder lembrar esses sonhos da juventude e constatar que muitos se realizaram sim, pelo menos para mim. Hoje, só não moro mais 'lá' por circunstâncias ligadas às mudanças ocorridas no nosso cotidiano. Mas a minha casinha está 'lá'.
Interessante é pensar que, apesar de tantas mudanças e 'evolução', esse sonho de muitas pessoas permanece.
Acho que é o 'mais do mesmo'. Nós, seres humanos, somos muito esquisitos mesmo.


terça-feira, 7 de agosto de 2018

Linda surpresa

Ouvindo música no youtube, me vi surpreendida e encantada com este poema como 'comentário' sobre a música de Fariborz Lachini, (NÃO É Chopin)  "Joie de vivre":

"Se donne à voir 
Se donne à écouter 
Se donne à se taire 
Se donne à toucher 
Du bord des yeux
Se donne à embrasser 
La vie
Se donne 
Lentement
Sans un bruit 
Plus haut que l'autre..."
*
ROUGE CERISE - (7 meses atrás)


***

Resmungo...

Resmungo do dia, 'guenta' aí...

Não bastassem nossas questões individuais e/ou coletivas, os problemas da vida de cada um, nossos direitos e também nossas obrigações, tudo - tudo e qualquer coisa - está em exposição de maneira quase sempre afrontosa, quase sempre procurando discussão ferrenha em disputas que muitas vezes levam a lugar nenhum.

A moda da vez é a voz. E como as temos... estridentes, esganiçadas e por vezes, inaudíveis ou incompreensíveis.
Ah, e tem também a questão da visibilidade.
Ilusão pensar que esperneando, berrando, sempre contra ou a favor de qualquer coisa, seremos vistos, temidos, amados , admirados, respeitados ou não.

A ordem do dia na vida atual é a chamada 'polêmica'.
O verbo causar agora é intransitivo.
Haja clichê! E haja crochê.

Na minha opinião, as notícias mais irrelevantes tomam ares de foco de discussão séria, urgente, necessária, para ocupar os espaços realmente vazios de ideias.
Puro desgaste comentar, opinar, ‘meter o bico’ – ou que outras expressões lhes ocorram..

Há outras coisas, muitas outras, atormentando o dia de quem apenas deseja sossego, o que destrói tímidas tentativas com bandeiras brancas - pequenas parcelas de contribuição para a 'paz mundial'.

Vamos, gente, vamos ouvir música .
**
Sueli, 07 de agosto 2018


'Do amor e outros demônios' - GABRIEL GARCIA MÁRQUEZ

"Às vezes atribuímos ao demônio certas coisas que não entendemos, 
sem cuidar que podem ser coisas que não entendemos de Deus."


'Do Amor e Outros demônios'  é o primeiro livro de Gabriel García Marques que surgiu de uma reportagem de outubro de 1949, quando ele é enviado pelo seu jornal ao Convento de Santa Clara, onde antigos túmulos estavam sendo destruídos. De um deles saiu uma cabeleira cor de cobre de vinte e dois metros pertencente a uma jovem. Na lápide constava simplesmente o nome Sierva María de Todos los Àngeles, sem sobrenome nem pista de quem ela seria.
O escritor lembrou de uma lenda que a avó lhe contava sobre uma marquesa de doze anos que foi mordida por um cão e que fazia milagres. E é a partir dessa lenda que sai este romance.

Há muito mais demônios no livro do que qualquer outra coisa.

**
Do capítulo Um:
 “Um cachorro cinzento com uma estrela na testa irrompeu pelos becos do mercado no primeiro domingo de dezembro, revirou mesas de frituras, derrubou barraquinhas de índios e toldos de loterias, e de passagem mordeu quatro pessoas que se atravessaram no seu caminho. Três eram escravos negros. A outra foi Sierva Maria de Todos los Ángeles, filha única do marquês de Casalduero, que fora com uma empregada mulata comprar uma fieira de guizos para a festa de seus doze anos.”
*
“— O corpo humano não foi feito para os anos que a pessoa é capaz de viver...”  
(Fala do médico Abrenuncio)
*
“— Não se preocupe, minha branca — disse a escrava. — A senhora pode me proibir o que quiser, e eu obedeço. — E concluiu: — Só não pode proibir o que eu penso.”
(Fala da escrava Dominga de Adviento)
*
“— Tenho tanto medo de cavalos como de galinhas — disse.
— É pena, porque a falta de comunicação com os cavalos atrasou a humanidade — disse Abrenuncio. — Se conseguíssemos rompê-la, poderíamos fabricar o centauro.”
(Diálogo entre o marquês de Casalduero e o médico)
*
“(..)
O interior da casa, iluminado por duas janelas que davam para o mar alto, estava arrumado com um preciosismo minucioso de solteirão. Em todo o ambiente recendia uma fragrância de bálsamos que levava a crer na eficácia da medicina. Havia uma escrivaninha em ordem e uma cristaleira cheia de frascos de porcelana com rótulos em latim.
Relegada a um canto, estava a harpa medieval coberta de uma poeira dourada. O mais notável eram os livros, muitos em latim, com lombadas intrigantes. Havia-os em armários de vidro e em estantes abertas, ou postos no chão com muito cuidado, e o médico caminhava Pelos desfiladeiros de papel com a ligeireza de um rinoceronte entre rosas. O marquês estava assombrado com a quantidade.
— Tudo o que se sabe deve estar nesta sala disse.
— Os livros não servem para nada — disse Abrenuncio de bom humor. — Passei a vida curando doenças causadas por outros médicos com os remédios que dão.
Tirou um gato adormecido da poltrona principal, que era a sua, para que o marquês sentasse. Serviu-lhe um chá de ervas que ele mesmo preparou no fogareiro do laboratório, enquanto falava de suas experiências médicas, até se dar conta de que o marquês perdera o interesse. Assim era: ele se levantou de repente e lhe deu as costas, espiando pela janela o mar esquivo. Por fim, sempre de costas, encheu-se de coragem para começar.
— Licenciado — murmurou.
Abrenuncio não esperava o chamado.
— Sim? — Sob a gravidade do sigilo médico, e só para seu governo, confesso que é verdade o que falam — disse o marquês em tom solene. — O cachorro raivoso mordeu também minha filha.
Olhou o médico e se defrontou com uma alma em paz.
— Já sei — disse. — E suponho que é por isso que veio tão cedo.
— Isso mesmo — disse o marquês. E repetiu a pergunta feita a respeito do mordido do hospital: — Que podemos fazer? 
Em vez da resposta brutal do dia anterior, Abrenuncio pediu para ver Sierva María.. Era isso que o marquês queria dele. Estavam pois de acordo, e a carruagem os esperava na porta.
(...)
Ao contrário do que seria de esperar, a menina se submeteu sem resistência a uma exploração minuciosa de seu corpo, com a curiosidade de quem estivesse observando um brinquedo de dar corda.
— Nós médicos vemos com as mãos — disse Abrenuncio.
A menina, achando graça, sorriu pela primeira vez. Sua boa saúde saltavaaos olhos.
(...)
Enfrentou com bom ânimo e pleno domínio o interrogatório insidioso, e seria preciso conhecê-la muito para descobrir que nenhuma resposta sua era verdade.
Só esteve tensa quando o médico encontrou a cicatriz ínfima no tornozelo. A astúcia de Abrenuncio se antecipou: — Caíste? A menina afirmou sem pestanejar: — Do balanço.
O médico começou a conversar consigo mesmo em latim. O marquês o interrompeu: — Diga-me isso em língua de gente.
— Não é com o senhor — disse Abrenuncio. Estou pensando em baixolatim.
Sierva María estava encantada com as artimanhas, de Abrenuncio, até que ele lhe colou a orelha ao peito para auscultá-la. 
O coração da menina batia aos saltos enlouquecidos, e a pele soltou um orvalho lívido e glacial, com um recôndito cheiro de cebola. 
Ao terminar, o médico lhe deu uma palmadinha carinhosa na face.
— És muito valente — disse.
A sós com o marquês, comentou que a menina sabia que o cachorro tinha raiva. O marquês não entendeu.
— Ela lhe disse muitas petas, mas essa, não.
— Não foi ela, senhor. Foi aquele coração, parecia uma rãzinha no cativeiro.
O marquês se demorou no relato de outras mentiras surpreendentes da filha, não sem certo orgulho paterno.
— Talvez vá ser poeta — disse.
Abrenuncio não admitiu que a mentira fosse uma condição das artes: — Quanto mais transparente é uma escrita, mais se vê a poesia.
A única coisa que não pôde interpretar foi o cheiro de cebola no suor da menina. Como desconhecia qualquer relação entre um cheiro determinado e a raiva, descartou-o como sintoma. 
Caridad del Cobre revelou mais tarde ao marquês que Sierva Maria se entregara em segredo às ciências dos escravos, que a faziam mastigar emplastro de manajá, e a trancavam nua na despensa de cebolas para afastar o malefício do cachorro.
Abrenuncio não suavizou o mais insignificante pormenor da raiva.
— Os primeiros ataques são tanto mais graves e mais rápidos quanto mais profunda for a mordida e quanto mais perto estiver do cérebro — disse. Lembrou o caso de um paciente que morreu ao cabo de cinco anos, mas ficou a dúvida de que tivesse sofrido um contágio posterior, não advertido. A cicatrização rápida não queria dizer nada: depois de um tempo imprevisível, a cicatriz podia inchar, abrir-se de novo e supurar. A agonia chegava a ser tão espantosa que era melhor a morte. 
Só restava então apelar para o hospital do Amor de Deus, onde havia senegaleses hábeis no tratar de hereges e de energúmenos enfurecidos. A não ser assim, o marquês em pessoa teria de assumir a condenação de manter a menina amarrada à cama até morrer.”
**
Do capítulo Dois:
“Nenhum louco é louco para quem aceita as razões dele.”
*
... já de saída, (o médico Abrenuncio) parou junto à rede do marquês e precisou o prognóstico: — A senhora marquesa morrerá o mais tardar no dia 15 de setembro, se antes não se pendurar numa viga.
Sem se alterar, o marquês disse: — O ruim é que o dia 15 de setembro ainda está longe”
*
“Ela lhe perguntou num daqueles dias se era verdade, como diziam as canções, que o amor tudo podia.
— É verdade — respondeu ele —, mas será melhor não acreditares.”
(Diálogo entre  pai - o marquês – e a filha Sierva Maria)
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Do Capítulo Três
“A ciência não me deu meios para lhe dizer mais nada — replicou o médico no mesmo tom ácido. — Mas se não acredita em mim, ainda lhe resta um recurso: confie em Deus.”
*
“— Quer dizer que recuperou a fé — disse Abrenuncio.
— Nunca se deixa de crer por completo — disse o marquês . — A dúvida persiste.”
*
“Abrenuncio o fez sentar diante dele, e os dois se entregaram ao vício da conversação, enquanto uma tempestade apocalíptica convulsionava o mar. O médico fez uma exposição erudita e inteligente sobre a raiva desde a origem da humanidade, sobre seus estragos impunes e a incapacidade milenar da ciência médica para impedi-los. Deu exemplos lamentáveis de como sempre fora confundida com a possessão demoníaca, assim como certas formas de loucura e outras perturbações do espírito. 
Quanto a Sierva María, depois de tantas semanas, não parecia provável que a contraísse. O único perigo, concluiu Abrenuncio, era que morresse, como tantos outros, em consequência da crueldade dos exorcismos.
A última frase pareceu a Delaura um exagero próprio da medicina medieval, mas ele não discutiu, porque servia bem à sua argumentação teológica de que a menina não estava possuída.” (...)
— A verdade é que nem sei ao certo por que vim — disse Delaura. — A não ser que essa menina me tenha sido imposta pelo Espírito Santo para pôr a prova minha fé.
Bastou dizê-lo para se libertar do nó de suspiros que o oprimia.
Abrenuncio olhou-o nos olhos, até o fundo da alma, e percebeu que estava quase a chorar.
— Não se atormente à toa — disse em tom tranquilizador. — Talvez só tenha vindo porque precisava falar nela.
Delaura sentiu-se nu. Levantou-se, procurou o rumo da porta e só não fugiu em disparada porque estava meio despido. 
Abrenuncio o ajudou a vestir a roupa ainda molhada, enquanto tratava de fazê-lo ficar para continuar a conversa.
— Com o senhor, conversaria sem parar até o próximo século — disse.”
(Abrenuncio, o médico; Delaura, o exorcista)
*
(Delaura vai à cela onde está Sierva Maria de Los Angeles)
(...) Então Delaura assistiu ao espetáculo pavoroso de uma verdadeira energúmena. A cabeleira de Sierva María se encrespou com vida própria, como as serpentes da Medusa, e de sua boca saiu uma baba verde, uma saraivada de impropérios em línguas de idólatras.
Delaura brandiu o crucifixo, aproximou-o da cara dela e gritou aterrado:
— Sai daí, sejas tu quem fores, besta dos infernos Seus gritos estimularam os da menina, que estava a ponto de romper as fivelas das correias. A guardiã acudiu
assustada e forcejou para dominá-la, mas só Martina o conseguiu com seus
modos celestiais.
Delaura fugiu.”
(...)
“Fugiu para a biblioteca mas não conseguiu ler. Rezou com a fé exacerbada, cantou a canção da tiorba, chorou com lágrimas de óleo ardente que lhe abrasavam as entranhas. 
Abriu a maleta de Sierva María e pôs as coisas uma a uma em cima da mesa. Conheceu-as, cheirou-as com um desejo ávido do corpo, amou-as e falou com elas em hexâmetros obscenos, até que não pôde mais. 
Então desnudou o torso, tirou da gaveta da mesa de trabalho a disciplina de ferro que nunca ousara tocar e começou a flagelar-se com um ódio insaciável, que não lhe daria trégua até extirpar de suas entranhas o último vestígio de Sierva Maria.
O bispo, que tinha ficado à espera dele, encontrou-o revolvendo-se num lamaçal de sangue e lágrimas.
— É o demônio, meu pai — disse Delaura. — O mais terrível de todos.”
**
Do Capítulo Quatro:
“Na cela de Sierva María, o ar ainda estava áspero por causa da cal viva e do ranço do alcatrão, mas havia uma ordem nova. 
Mal a guardiã abriu a porta, a vice-rainha se sentiu enfeitiçada por um sopro glacial. 
Sierva María estava’sentada, a bata puída e os chinelos sujos, e costurava devagar num canto
iluminado por sua própria luz. Não ergueu os olhos até que a vice-rainha a cumprimenttou. 
Logo percebeu no olhar da menina a força irresistível de umarevelação.
— Santíssimo Sacramento — murmurou, dando um passo para dentro da cela.
— Cuidado — disse-lhe a abadessa ao ouvido. É como uma onça.
*
"A cela estava diferente graças aos dons de persuasão dos vice-reis, que na visita de despedida tinham convencido a abadessa das boas razões do bispo. O colchão era novo, os lençóis de linho, e os travesseiros de penas, e se haviam posto utensílios para o asseio cotidiano e o banho de corpo. 
A luz do mar entrava pela janela sem cruzetas e resplandecia nas paredes recém-caiadas."
*
Do Capítulo Cinco
(Visita de Abrenuncio ao padre Cayetano Delaura, este cuidndo de leprosos, cumprindo sentença dada pela Igreja)
“— Gostaria de saber por que é tão amável comigo – (disse Delaura)
— Porque nós ateus não conseguimos viver sem os padres — disse Abrenuncio. — Os pacientes nos confiam seus corpos, mas não suas almas, e nós vivemos como os diabos, tratando de disputá-las com Deus. 
— Isso não combina com as suas crenças — disse Cayetano  (...)
*
“Cayetano aprendeu depressa que um grande poder não se perde pela metade. As mesmas pessoas que antes disputavam a sua intimidade agora fugiam dele como de um leproso. 
Seus amigos das artes e letras mundanas se afastaram para não ter problemas com o Santo Ofício.”
*
"Quando paro a contemplar o meu estado 
e ver os passos por onde me trouxeste ... 
eu acabarei pois me entreguei sem arte 
a quem me saberá perder e acabar" 
(do último dos quarenta sonetos do cavaleiro do amor e de armas, Dom Garcilaso de La Vega)
*
(O médico Abrenuncio fala ao padre Cayetano Delaura):
“— Vocês têm uma religião da morte que lhes infunde coragem e felicidade para enfrentá-la disse. — Eu não: acredito que a única coisa essencial é estar vivo.”
*

Primorosa descrição de ambiente
“...era o ambiente mais espaçoso da casa do bispo, sem uma só janela, e as paredes cobertas por armários de mogno envidraçados com livros numerosos e em ordem. 
No centro ficava uma mesa grande com cartas de marear, um astrolábio e outros instrumentos de navegação, e um globo terrestre com acréscimos e emendas feitas a mão por sucessivos cartógrafos à medida que o mundo ia aumentando. 
Havia no fundo uma rústica mesa de trabalho com o tinteiro, o aparador de penas, as penas de peru nativo para escrever, o pó de secar tinta e uma jarra com um cravo murcho. 
Todo o ambiente estava em penumbra, e cheirava a papel em repouso, à fresca e ao sossego de uma floresta.
Ao fundo do salão, num espaço mais reduzido, havia umas estantes fechadas com portas de tábuas comuns. Era a prisão dos livros proibidos segundo os expurgatórios da Santa Inquisição, por tratarem de 'matérias profanas e fabulosas', e de histórias fictícias. A ela ninguém tinha acesso, salvo Cayetano Delaura, por licença pontifícia para explorar os abismos das letras extraviadas. (...)”


*            *            *

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Pequeno desabafo para não 'pirar' de vez...

A página do facebook é simpática... vive perguntando sobre o que estamos pensando. Aí está:

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Sério, Sr. Facebook, quer mesmo saber o que estou pensando?

Vamos lá: 'matutando' aqui sobre o que mais nós - brasileiros - ainda teremos de aturar, pelo menos até o fim do ano...
Caramba! Fico arrepiada de pavor só em pensar...
Estamos exaustos de tanta palhaçada, tanta mentira, tanto conluio,conchavo, sei lá que nome mais 'politicamente correto' usar para a simples falta de vergonha na cara, para essa desfaçatez toda.
A notícia da vez é que terão que 'decantar' (palavra da mídia) esse montão de pré candidatos a cargos eletivos.. Já vimos o filme: mais conchavos, mais conversinhas e conversões (coalizões?).
Muito cacique pra pouco índio, suponho.
Interessante que mesmo em meio a essa lambança federal (NÃO ESTOU USANDO GÍRIA) ainda aparece essa quantidade de 'cara de pau' buscando uma vaguinha nas eleições. Ah, claro, eles dizem querer 'dar um rumo' ao país. Tá bom. Por que não 'acudiram' o pobrezinho do Brasil antes de virar esse furdunço? Certamente esperam que acreditemos no papo furado de dois em dois anos (sim, as eleições municipais também estão a reboque) e que 'votemos com consciência' (consciência de quê? De que vimos sendo espoliados - a 'Pátria Mãe gentil' e nós, 'os filhos deste solo' - enganados e continuamos a aceitar qualquer decisão tomada pelos senhores do poder? É duro admitir : "podres poderes".

Antes que algum (a) bonitinho (a) pergunte, já respondo: eu não me candidato a algum cargo porque passou meu tempo... sou velha sim, tenho 72 anos de idade e, ao contrário dos decanos aí do governo, tenho vergonha na cara e sei que honestidade, dignidade e competência são coisas esquecidas porque atualmente desimportantes, 'tipo assim' uma andorinha solitária - será que conhecem, pelo menos, o antiquíssimo ditado? Du-vi-do.

Então, é assim: as pessoas costumam se cercar dos seus pares, de quem pensa e age de forma semelhante (precisa se garantir) e meu metabolismo agora é lento, meu estômago não aguentaria a visão dessa imundície. Prefiro me preservar um pouco para tentar morrer com Saúde (hahaha) mental, ao menos.
E olhem, desabafei só um pouquinho, sem entrar em detalhes.
Mas alivia o mal estar, a raiva...
**
Sueli, eu mesma.

sábado, 16 de junho de 2018

Suave lembrança

Não é de minha autoria, mas escrito há mais de cinquenta anos, em minha presença, revelou-se profético:
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"Pudesse eu compor um poema friorento,
onde nós dois, de mãos entrelaçadas,
passeássemos num bosque
sob a chuva rala, o vento esquivo,
a névoa...

Não quero manhãs de sol nem resplendor de flores,
se nosso amor, o amor de todos os amores
foi uma chuva rala, um vento esquivo,
a névoa."

*            *            *

Leituras

Resende, 13 de junho 2018 – quarta-feira


Costumo diversificar minhas atuais reduzidas 'tarefas' - digamos assim...
Em meio a cuidados com a família, comigo, com a casa, gosto da internet (em parte), não gosto muito de TV, adoro ouvir música (eu disse música), saio pouco - mais por necessidade, para conferir a rua, por convívio ou algum motivo que apareça, ou seja, raramente algo programado. Minha preferência é a leitura. Disponho de tempo, esse luxo moderno - sem dinheiros, bens ou propriedades considero-me "ryyycaa" ;  almejo me tornar também "phyyynaa", ainda que gorda e/ou 'no fashion'.

No momento, estou enrolada aqui com "A estética do oprimido', de Augusto Boal. Parece que o pretexto é falar de teatro, mas vai além. Ou o contrário, ainda não decidi...

Enfim, estou gostando, embora - é claro - seus conceitos e argumentos não me seduzam completamente.
Algumas vezes, leio, paro, penso um pouquinho (só um pouco, porque cansa) e, se achar válido, publico na minha página do facebook a experiência. É isso.

Hoje, por exemplo:

“Nenhum de nós tem que ser melhor que ninguém; cada um de nós pode sempre ser melhor que si mesmo.”
*
“Gigantesca tolice é simbolizar a Justiça por uma mulher de olhos vendados quando ela deveria ter os olhos bem abertos para tudo ver e pesar.”
*
“Ética é o caminho por onde se pretende chegar ao sonho de humanizar a Humanidade. A ética repugna a persistência do instinto predatório em sociedades humanas, cujos resíduos selvagens ainda existem em nós.”
*
“Os mistérios do mundo são maiores que as respostas que sabemos dar. Ainda mais complexas são as perguntas que não sabemos perguntar.”
*
O extraordinário poder hipnótico da TV é levado ao paroxismo pelo frenético movimento da imagem. Sabemos que qualquer movimento é atraente por causa da sua imprevisibilidade – todo movimento cria suspense.
Ainda no berço, o olhar do bebê é atraído por qualquer coisa que se mova, principalmente se tiver cores: o movimento harmônico de coisas e cores é forma sadia de desenvolver sua capacidade de perceber. A TV utiliza esse fato biológico para confundir, fazendo com que suas imagens não demorem na tela, via de regra, mais que alguns segundos fugidios.
Não permitir que os telespectadores vejam as imagens que olham – esse é um princípio básico da hipnose televisiva : forçar o olhar sem ver.
O olhar, sem passar pela consciência, transporta ao cérebro a ordem: compre!
*
Onde se expande o medo e a insegurança causados pelo sistema socioeconômico em que vive a maioria das nossas populações aí se expandem as igrejas inventadas por qualquer autodenominado bispo ou pastor. Começam do nada – basta uma sala ou barraco em área pobre –, e podem crescer numerosas e fortes, pelo número de seus integrantes, oferecendo maior segurança espiritual onde nenhuma segurança material existe.
AUGUSTO BOAL (1931-2009)

**
Bem, terminei de ler o livro do Boal. Apresentado como  ‘projeto teórico e programa político com o propósito de estimular o pensamento estético por meio do acesso à produção artística’.
Até aí, para mim, tudo certo ...
Entendi como tema principal a liberdade de cada um, individual mesmo. Entretanto, percebi claramente alusões a regimes políticos em que a liberdade tem sentido ampliado e a ‘opressão’ praticada por determinado grupo pretende destruir essa individualidade.
Nesse caso, no meu entender, há uma saída pela tangente, o projeto ‘teatral’ transformando-se em bandeira partidária. Meu interesse diminuiu mas continuei lendo.
Confirmei meu entendimento pelo tom levemente, sutilmente panfletário na descrição minuciosa de vários exemplos de ‘opressores’ da criatividade.
De uma certa forma, ressuscita exaltando figuras de heróis temporários e, ao mesmo tempo,  aceita o pensamento de Brecht quando este diz “infeliz a sociedade que precisa de heróis”.

Enfim, valeu porque a leitura sempre vale a pena.
Gosto de conhecer diferentes e mesmo conflitantes modos de pensar - mesmo porque sempre existirão - o que não torna, absolutamente, impossível a convivência.
“O que seria do azul se todos gostassem apenas do amarelo?”

Sueli, junho 2018
*            *            *

domingo, 8 de abril de 2018

Observando o Circo Político - 07 de abril 2018

Fui e sou frequentemente chamada de 'isentona', "centrona", tudo "ona"... Ainda bem.
Sempre desconfiei e continuo desconfiando dos extremos - e extremistas, da radicalidade - e dos radicais.
Costumo dizer que se eu me importasse em estar 'dentro dos padrões' - esses mesmos padrões por um lado combatidos de forma insana, apenas para demonstrar autonomia e/ou rebeldia, afirmação não sei de que posicionamento - e nem me interessa - sem uma honesta avaliação de causas e consequências, eu poderia, sim, estar a favor ou contra qualquer coisa. Não estou. Não quero estar.
No fim e ao cabo, devo prestar contas a mim mesma. É comigo que estive ao nascer e é assim também que estarei ao encerrar meu ciclo vital.
Penso que estamos aqui - neste mundo, vivendo nesta sociedade - não apenas 'buscando um sentido' (pobre filosofia servindo aos que se consideram puros e melhores) mas num exercício constante de afinação da capacidade de pensar e sentir, de tentativas, de erros e acertos -  conceitos esses estipulados por essa mesma sociedade que precisa, sim, de uma certa organização com suas leis e regras determinadas em consenso, portanto fazendo-se valer nas situações conflitantes.
Não é isso o que estamos vivendo.
Discordâncias existem, podendo e devendo ser debatidas e analisadas para que haja alguma evolução no estabelecimento desse aglomerado de seres da mesma espécie. Repito: da mesma espécie. A esta espécie nominada humana, foram conferidos atributos diferentes das demais.
Não quero nem posso continuar escrevendo. Envergonhada demais. Apenas concluo:
Precisamos observar melhor e tentar aprender com as 'demais espécies'. A nossa vem radicalizando...
**
Ah, apenas para me afirmar como "centrona" : No episódio circense destes últimos dias, concordo com a decisão em relação ao ex-presidente. O circo foi armado por ele.
Apenas  me demito da função de palhaço.

*               *               *
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quinta-feira, 15 de março de 2018

Humana Matemática

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Sou ‘de Humanas’ por vocação, tendência, intuição, escolha, genética (não... genética eu penso que não) enfim, sei lá por quê. Só sei que prefiro ‘trabalhar com miçangas’ sim e me encantar com o imponderável;  os mistérios aguçam-me os sentidos.
Assim, a matemática sendo para mim também um mistério, estranhamente me atraí.
Respeito, admiração, assombro mesmo, diante das mentes que elucidam e coordenam esse aprendizado.

Penso aqui em Guimarães Rosa – “Eu quase que nada não sei, mas desconfio de muita coisa” – enquanto leio Edward Frenkel, um matemático americano nascido em Kolomna, em 02 de maio de 1968, na Rússia.
Ele trabalha com teoria de representação, geometria algébrica e física matemática.
Professor de matemática da Universidade da Califórnia em Berkeley e membro da Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos .

O que está fazendo Guimarães Rosa no meio dessa conversa?  Olhem aí o que diz o matemático:

“(...) Um cérebro não é só um conjunto de neurônios. Há uma energia que está em movimento, não está localizada num ponto. Não é possível agarrar um humano e transformá-lo numa máquina. É como tentar captar a essência de um ser humano através de uma fotografia.
Até mesmo na Matemática, há um elemento de imprevisibilidade, de espontaneidade, de pureza que transcende qualquer computador. Nenhuma descoberta matemática se assenta apenas no pensamento racional. Há sempre uma outra parte — podemos chamar-lhe inspiração, insight, intuição, instinto que só existe em nós e que nenhuma máquina poderá reproduzir.”
EDWARD FRENKEL
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Sueli, 15 de março, 2018

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quinta-feira, 1 de março de 2018

Antes tarde...



Ah, só agora?! 
Hoje moro no maior sossego mas já suportei coisas inomináveis - Joelma, da extinta Calypso, berrando das 8 às 20 horas, Paula Fernandes gemendo o tempo todo em alto som; festinhas 'regadas' a tudo e que varavam a madrugada - em um lugar que todos pensam ser calmo. 
Sem falar nos gritos e palavrões. E o canil em pleno bairro residencial? Sim, um CA-NIL (tudo na mesma rua, na mesma casa, ao lado da minha), sem licença, sem higiene, sem cuidados - nem era clandestino, uma vez que certas 'autoridades' da chamada cidade sabiam. Acho que ainda está lá...

A cidade, privilegiada com paisagens naturais deslumbrantes merece mais cuidado e respeito por parte da população - incluindo os governantes que seguindo a 'regra geral' estão pouco ou nada preocupados com a situação. Uma pena.

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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

♪♫"E, no entanto, é preciso cantar"♪♫

Geeentee... Diante da TV assistindo a telejornais, cada vez mais apavorada e descrente de que este país possa se tornar uma Nação.

Saldo do carnaval.
O metrô no Rio - limpo, absolutamente limpo - abre as portas e aparece uma boiada desembestada , uns empurrando os outros, numa correria surreal e selvagem. Ao sair, o lugar parece um chiqueiro - desculpem, porquinhos de verdade.
Violência multiplicada desde os bairros de zona sul à periferia e subúrbios. Um verdadeiro pandemônio.
Até pseudo-blocos carnavalescos cujos integrantes portavam fuzis e atiravam para o alto intimidando a população.
Pessoas - entre elas, muitas crianças - assassinadas a tiros. Inúmeros assaltos, 'arrastões', roubos e furtos.

Ausência total do Governador Luiz Fernando Pezão e do Prefeito Marcelo Crivella. O primeiro está em sua cidade (Piraí-RJ, segundo seus assessores 'distante apenas 80 km do Rio de Janeiro' - que belezinha, não?) e o segundo na Europa (Alemanha).

Então, POVO BRASILEIRO, quais são - mesmo - suas reivindicações, projetos e planos daqui para a frente? Ou será daqui para baixo, se é possível? 
Aplaudir sua Escola (de samba, bem entendido) Campeã?
Aguardar o evento da Copa do Mundo? Ou o próximo (!) carnaval?
Lembrando sempre que teremos um negócio aí chamado eleições, certamente com a mesma organização competente a que estamos nos acostumando nos grandes e importantíssimos eventos.

Aguardemos...

Sueli, 14 de fevereiro2018
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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

"Fisolofando"...

Quebrando a cabeça com ÉTIENNE de LA BOÉTIE


Estou lendo o "Discurso da Servidão Voluntária", de Etienne de La Boétie - filósofo do séc. XVI. Apaixonante, mas muito, muito difícil.
Filosofia é um negócio danado... as perguntas são muitas, resposta nenhuma. É só pra pensar mesmo...
Minha bisavó dizia que 'de pensar morreu um burro'.
Quero morrer agora não, caramba!

"...aqueles dotados de claro entendimento e espírito clarividente, não se limitam, como o vulgo, a olhar só para o que têm adiante dos pés, olham também para trás e para frente e, estudando bem as coisas passadas, conhecem melhor o futuro e o presente.
Além de terem um espírito bem formado, tudo fazem para aperfeiçoá-lo pelo estudo e pelo saber."
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Esse homem esteve muuuito à frente do seu tempo ou nós é que estamos atrasados em 5 séculos?! Pensa aí, vai, me ajuda...

"A amizade é uma palavra sagrada, é uma coisa santa e só pode existir entre pessoas de bem, só se mantém quando há estima mútua; conserva-se não tanto pelos benefícios quanto por uma vida de bondade.
O que dá ao amigo a certeza de contar com o amigo é o conhecimento que tem da sua integridade, a forma como corresponde à sua amizade, o seu bom feitio, a fé e a constância.
Não cabe amizade onde há crueldade, onde há deslealdade, onde há injustiça. Quando os maus se reúnem, fazem-no para conspirar, não para travarem amizade. Apoiam-se uns aos outros, mas temem-se reciprocamente. Não são amigos, são cúmplices."
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"Dizem os médicos que, havendo no nosso corpo uma parte afetada, é nela que naturalmente se reúnem os humores malignos; da mesma forma, quando um rei se declara tirano, tudo quanto é mau, a escória do reino (não me refiro aos larápios e outros desorelhados que no conjunto da república não
fazem bem ou mal algum), os que são ambiciosos e avarentos, todos se juntam à volta dele para apoiarem-no, para participarem do saque e serem outros tantos tiranetes logo abaixo do tirano. É o caso dos grandes ladrões e corsários famosos. 
Há uns que exploram o país e assaltam os viajantes; estão uns de emboscada e outros à espreita; uns chacinam, outros saqueiam e, havendo muito embora alguns mais proeminentes, uns que são criados e outros chefes de bando, todos afinal se sentem donos, senão do espólio principal, pelo menos de parte dele."


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terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Aos 72 de idade

Aos 72 de idade (Uma vez que completei 71 em julho deste ano)

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Gente phyna, moderna e sincera (à beira da falta de educação) pergunta minha idade.

Que faça as contas, se a memória e/ou o conhecimento ajudarem.

Velha sim, e Bem Educada:
Estudei boa parte do tempo como interna em colégio de freiras; fiz curso de datilografia e de piano; 
quando comecei a namorar, meu irmão - dois anos mais novo - nos acompanhava na ida ao cinema por ordens (obedecidas) do pai; 
certa vez, meu pai me presenteou com a coleção de livros "Tesouro da Juventude"; 
embora tivesse liberdade de ler o que quisesse da estante de casa, a recomendação era começar pelos romances 'água com açúcar' de M.Delly; 
tivemos também – meus irmãos e eu - toda a obra para crianças, de Monteiro Lobato.
Comecei a vida profissional aos 18 anos.
Formatura em Curso Superior e Pós Graduação depois de casada.
O mundo era mais calmo. 
Hoje, aposentada, tenho cinco netos maravilhosos. 
Fui e continuo sendo feliz sim.

Ah, só para lembrar o que disse João GUIMARÃES ROSA: "infelicidade é questão de prefixo."

Sueli, dezembro de 2017


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sábado, 2 de dezembro de 2017

Em Oração

"ORAÇÃO PARA O RENASCIMENTO

Resultado de imagem para mulher em oração

Agora estou vivendo um novo dia! Tudo que pertence ao passado, que é mau, que é indesejável, que é feio, que é sombrio, que é pessimista, já se foi.
Todo o passado já desapareceu, e estou renascendo agora, recebendo de Deus os pensamentos bons, desejáveis, belos, alegres e positivos. Todos esses bons pensamentos, semeados em meu subconsciente, estão pouco a pouco germinando, crescendo e finalmente, no momento adequado, manifestar-se-ão em forma concreta, com certeza.
No Mundo da Imagem Verdadeira criado por Deus não existe nada que não seja bom. E está determinado que somente o que há de bom no Mundo da Imagem Verdadeira se manifestará neste mundo fenomênico, a não ser que nós, homens, impeçamos a sua manifestação com pensamentos negativos e errôneos.
Eu renasci neste momento! Eliminei todos os pensamentos e sentimentos negativos e pessimistas que estavam obstruindo o canal por onde se manifestam todas as coisas boas do Mundo da Imagem Verdadeira.
Rompi todas as amarras que me prendiam. Na minha mente já não existe nada que impeça a germinação e o crescimento das boas sementes que Deus colocou no meu interior.

Eu renasci agora! Sou filho(a) de Deus! Deus semeou em meu interior a possibilidade infinita, que vai se manifestando cada dia mais abundantemente.
Por mais que surjam aparentes dificuldades, enfrento-as com destemor e avanço decididamente. Assim procedendo, força muito maior surgirá em meu interior; então, as dificuldades deixarão de existir e a estrada íngreme tornar-se-á plana.
Eu renasci agora! Compreendi realisticamente que sou filho(a) de Deus!
Desfizeram-se todas as amarras com que eu prendia a mim mesmo(a), e torno-me agora totalmente livre.
Compreendo que sou totalmente livre e que tenho recebido de Deus força capaz de superar quaisquer dificuldades, perdi o hábito de vacilar diante das dificuldades.
Eu, como filho(a) de Deus, tenho recebido de Deus a Sabedoria Infinita, razão pela qual saberei captar o momento mais oportuno para agir. No momento mais adequado, executarei sem vacilar, decididamente, da maneira mais apropriada, aquilo que for mais importante para o momento. Por isso, aquilo que executo concretiza-se infalivelmente e dá ótimos resultados.

Eu renasci agora! Sou filho(a) de Deus! Deus está sempre comigo e me protege a todo instante.
Nesse momento, está jorrando do meu interior a nova força vital, está nascendo nova coragem, e consigo enfrentar todas as circunstâncias com interesse e alegria.
Oh! Ano da melhora de todas as coisas, ano da realização de todas as aspirações!
Oh! Como sou feliz! Agradeço a Deus, por me dar essa convicção.
Muito Obrigado!"
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Sutra Sagrada: A Verdade em Orações – Vol.1 – pág. 53

(Fazer a leitura em voz alta, agradecendo a Deus pela oração já ter sido atendida).

domingo, 5 de novembro de 2017

Pronto, 'falei'.

Do que leio por aí, gosto e...adapto (com ou sem permissão, sei lá de quem - sem paciência no momento) ao meu estilo de vida. 
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"...Cansei-me desses clichês imagéticos da chamada terceira idade. O que pretendem com isso? Melhorar a auto-estima dos idosos? Sinalizar que a velhice não é o fim de linha? Que é tempo de ousar? Devo confessar que, para mim, essas tentativas são inócuas. Primeiro porque a minha autoestima vai bem, obrigada, depois, porque não sou o tipo de pessoa alimentada por pretensões desportivas. Paraquedas? Nem aos 20 e nem agora, que já passei dos 70. Prefiro rever algum filme do Fellini.
Há outros clichês bonitinhos, mas também irritantes. Velhinhos e velhinhas “supercool”, com roupas originais, meio hippies serôdias (hipongas) ou de marcas de estilistas famosos (grife), sempre em poses modernas, chapéus e enfeites (badulaques) nas ruas de Nova York, que conseguem sempre muitos likes no Facebook. Gosto de ver, porque tenho um aguçado sentido estético, o belo e o subversivo sempre me atraíram, mas o peso dessas imagens como inspiração? Dois gramas.
E o que é que me me inspira? 
Conteúdos que me façam sonhar, que mostrem o lado bom das pessoas, que exibam um mundo mais humano, que ampliem os meus horizontes extra-sensoriais, que me atualizem com sugestões criativas...
(...)
Conteúdos que tragam ferramentas principalmente para o autoconhecimento e o desenvolvimento espiritual.
Naturalmente que espiritual não está necessariamente relacionado com a religião. Tem a ver com força pessoal, equilíbrio psíquico, serenidade para aceitar a circularidade do tempo, coragem para construir um novo modelo mental.
(...)
Quero evoluir espiritualmente, abrir mão de cobranças, de preconceitos, de lamentações, de traumas do passado. 
Quero consumir com consciência, abrir mão do supérfluo, inclusive nos relacionamentos. 
Quero ouvir com qualidade o meu interlocutor, desligar o botão do julgamento, ser tolerante com meus erros e mais generosa com as fraquezas alheias. 
Quero entender as similaridades entre a cabala e o xamanismo, entre meditação e “mindfulness” ( minha tradução: 'Consciência plena').
(...)
Esta nova geração de idosos tem muita vida pela frente e está a apostar numa longevidade sustentável. Está reinventando-se para tirar proveito dos próximos anos. 
Já sabemos que caminhar faz bem, que frituras aumentam o colesterol, que há velhinhos surfistas.
Portanto, senhores anunciantes, invistam as vossas verbas em anúncios, programas, portais inteligentes, que nos tratem como pessoas ávidas por informação qualificada; despertas, curiosas, prontas a compartilhar tudo o que fizeram e viveram e aptas a desbravar esse mundo que se renova diariamente."
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Pronto, 'falei'.
Texto adaptado do original de DENISE RIBEIRO, jornalista.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Reflexão


"Acordar para si é retomar a beleza do avesso."

Josie Conti, na página 'CONTI outra'