terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Drummond - "A Banda", de Chico Buarque



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"O jeito no momento é ver a banda passar, cantando coisa de amor. Pois de amor andamos todos precisados, em dose tal que nos alegre, nos reumanize, nos corrija, nos dê paciência e esperança, força, capacidade de entender, perdoar, ir para a frente. Amor que seja navio, casa, coisa cintilante, que nos vacine contra o feio, o errado, o triste, o mau, o absurdo e o mais que estamos vivendo ou presenciando.

A ordem, meus manos e desconhecidos meus, é abrir a janela, abrir não, escancará-la, é subir ao terraço como fez o velho que era fraco mais subiu assim mesmo, é correr à rua no rastro da meninada, e ver e ouvir a banda que passa. Viva a música, viva o sopro de amor que a música e a banda vêm trazendo, Chico Buarque de Holanda à frente, e que restaura em nós hipotecados palácios em ruínas, jardins pisoteados, cisternas secas, compensando-nos da confiança perdida nos homens e suas promessas, da perda dos sonhos que o desamor puiu e fixou, e que são agora como o paletó roído de traça, a pele escarificada de onde fugiu a beleza, o pó no ar, a falta de ar.

A felicidade geral com que foi recebida essa banda tão simples, tão brasileira e tão antiga na sua tradição lírica, que um rapaz de pouco mais de vinte anos botou na rua, alvoroçando novos e velhos, dá bem a ideia de como andávamos precisando de amor. Pois a banda não vem entoando marchas militares, nem a festejar com uma pirâmide de camélias e discursos as conquistas da violência. Esta banda é de amor, prefere rasgar corações, na receita do sábio maestro Anacleto de Medeiros, fazendo penetrar neles o fogo que arde sem se ver, o contentamento descontente, a dor que desatina sem doer, abrindo a ferida que dói e não se sente, como explicou um velho e imortal especialista português nessas matérias cordiais.

Meu partido está tomado. Não da Arena nem do MDB, sou desse partido congregacional e superior às classificações de emergência, que encontra na banda o remédio, a angra, o roteiro, a solução. Ele não obedece a cálculos da conveniência momentânea, não admite cassações nem acomodações para evitá-las, e principalmente não é um partido, mas o desejo, a vontade de compreender pelo amor, e de amar pela compreensão.
Se a banda sozinha faz a cidade toda se enfeitar e provoca até o aparecimento da lua cheia no céu confuso e soturno, crivado de signos ameaçadores, é porque há uma beleza generosa e solidária na banda, há uma indicação clara para todos os que têm responsabilidade de mandar e os que são mandados, os que estão contando dinheiro e os que não o têm para contar e muito menos para gastar, os espertos e os zangados, os vingativos e os ressentidos, os ambiciosos e todos, mas todos os etcéteras que eu poderia alinhar aqui se dispusesse da página inteira.

Coisas de amor são finezas que se oferecem a qualquer um que saiba cultivá-las, distribuí-las, começando por querer que elas floresçam. E não se limitam ao jardinzinho particular de afetos que cobre a área de nossa vida particular: abrangem terreno infinito, nas relações humanas, no país como entidade social carente de amor, no universo-mundo onde a voz do Papa soa como uma trompa longínqua, chamando o velho fraco, a moça feia, o homem sério, o faroleiro... todos os que viram a banda passar, e por uns minutos se sentiram melhores. E se o que era doce acabou, depois que a banda passou, que venha outra banda, Chico, e que nunca uma banda como essa deixe de musicar a alma da gente".
*            *            *

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE, Jornal 'Correio da Manhã', por ocasião do II Festival de Música Popular Brasileira / TV Record / 1966.

sábado, 1 de dezembro de 2018

Casa de Mãe Quando Os Filhos Se Vão


Casa de mãe depois que os filhos se vão
Texto atribuído a Miryan Lucy Rezende

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Casa de mãe depois que os filhos se vão é um oratório. Amanhece e anoitece, prece. Já não temos acesso àquelas coisinhas básicas do dia a dia, as recomendações e perguntas que tanto a eles desagradavam e enfureciam: com quem vai, onde é, a que horas começa, a que horas termina, a que horas você chega, vem cá menina, pega a blusa de frio, cadê os documentos, filho.

Impossibilitados os avisos e recomendações, só nos resta a oração, daí tropeçamos todos os dias em nossos santos e santas de preferência, e nossa devoção levanta as mãos já no café da manhã e se deita conosco.

Casa de mãe depois que os filhos se vão é lugar de silêncio, falta nela a conversa, a risada, a implicância, a displicência, a desorganização. Falta panela suja, copos nos quartos, luzes acesas sem necessidade…

Aliás, casa de mãe, depois que os filhos se vão, vive acesa. É um iluminado protesto a tanta ausência.

Casa de mãe depois que os filhos se vão tem sempre o mesmo cheiro. Falta-lhe o perfume que eles passam e deixam antes da balada, falta cheiro de shampoo derramado no banheiro, falta a embriaguez de alho fritando para refogar arroz, falta aroma da cebola que a gente pica escondido porque um deles não gosta ( mas como fazer aquele prato sem colocá-la?), falta a cara boa raspando o prato, o “isso tá bão, mãe”. O melhor agradecimento é um prato vazio, quando os filhos ainda estão. Agora, falta cozinha cheia de desejos atendidos.

Casa de mãe depois que os filhos se vão é um recorte no tempo, é um rasgo na alma. É quarto demais, e gente de menos.

É retrato de um tempo em que a gente vivia distraída da alegria abundante deles. Um tempo de maturar frutos, para dá-los a colher ao mundo. Até que esse dia chega, e lá se vai seu fruto ganhar estrada, descobrir seus rumos, navegar por conta própria com as mãos no leme que você , um dia, lhe mostrou como manejar.

Aí fica a casa e, nela, as coisas que eles não levam de jeito nenhum para a nova vida, mas também não as dispensam: o caminhão da infância, a boneca na porta do quarto, os livros, discos, papéis e desenhos e fotografias – todas te olhando em estranha provocação.

Casa de mãe depois que os filhos se vão não é mais casa de mãe. É a casa da mãe. Para onde eles voltam num feriado, em um final de semana, num pedaço de férias.

Casa de mãe depois que os filhos se vão é um grande portão esperando ser aberto. É corredor solitário aguardando que eles o atravessem rumo aos quartos. É área de serviço sem serviço.

Casa de mãe depois que os filhos se vão tem sempre alguém rezando, um cachorrinho esperando, e muitos dias, todos enfileirados, obedientes e esperançosos da certeza de qualquer dia eles chegam e você vai agradecer por todas as suas preces terem sido atendidas.

Por que, vamos combinar, não é que você fez direitinho seu trabalho, e estava certo quem disse que quem sai aos seus não degenera e aqueles frutos não caíram longe do pé?

E saudade, afinal, não é mesmo uma casa que se chama mãe?

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sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Nas sombras da internet - IVAN ÂNGELO

Nas sombras da internet
IVAN ÂNGELO - Revista 'Veja São Paulo', 01 de abril 2018


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Ilustração: Negreiros



Existe um lugar sombrio na rede mundial, onde cavalgam os novos bárbaros com suas espadas de ódio e suas línguas de maldizer.

Lá é onde cada um deles comete seus furtivos pecados, é onde fica seu abrigo secreto, seu esconderijo, o armário onde se resguarda, onde, camuflado, faz seus feios fazeres.
É onde diz o indizível, espia o interdito, namora espelhos e secretamente, mas ó com que excitação, busca e deseja seus iguais.
É onde chicoteia negros (ó, não mais “seus” negros, maldita princesa Isabel!), sevicia mulheres, pisoteia destituídos de bens e de poder, difama os divergentes.
É o beco onde chuta cachorro morto dando risada.
É o ermo onde dá o quinto tiro na cabeça da vereadora assassinada.
É o território do falso, por onde circulam as notícias falsas, as falsas reputações, a moeda falsa, a falsa virtude, as nuvens de pó, os inconfessáveis encontros marcados, os endereços para a entrega das malas de dinheiro e das moças de falsa inocência.
É onde trafegam espiões e chupa-cabras, bisbilhotando, invadindo, copiando, adulterando, montando, espalhando, vendendo, jogando nas redes o que quer que seja ou pareça comprometedor, ou que possa levantar suspeitas, ou que possa corroborar uma suspeita.
É de onde justiceiros de reputações disparam suas mensagens de quarenta palavras-bala, que ricocheteiam e vão ferindo incautos em louco zigue-zague.
É a esquina do maldizer, da língua preta, da língua de trapo, da língua de fogo, a enxovalhar com sua baba fétida a vida e a imagem das pessoas públicas.
Fica lá, nessa zona escura, a cadeira de dragão dos porões cibernéticos, onde delegados fleurys fazem sofrer por prazer sádico, riem ao fritar nomes, relações, amizades, fidelidades.
É onde cada um deles marca encontro para espancar até a morte o torcedor do time adversário, não importa se pai ou filho como todos nós, como todos eles, naquele momento é apenas um portador da bandeira ou camiseta odiada, e eles dão o pau conforme combinado na rede social, pau, pau, pau nele sem dó.
É onde se trama a ameaça aos ministros e o ataque às caravanas.
É onde jovens manifestantes de negra intenção e máscara ninja marcam encontros para vandalizar, quebrar, queimar, bagunçar, machucar, anarquizar e onde, mais tarde, na mesma zona sombria, contabilizam eufóricos seus estragos, como se vitórias fossem.
É onde campeiam capitães de mato da nova estirpe à caça de gays, de defensores de direitos, de libertários, de militantes da ecologia, de feministas, de vozes que cobram compromissos sociais dos políticos, para contra eles açular matilhas raivosas.
Escondem-se nessas moitas da rede os doentios divulgadores de fotos furtadas de celebridades peladas.
É onde os pescadores de dinheiros — eis aí os verdadeiros pescadores de águas turvas — lançam suas iscas para capturar transferências, números de contas bancárias, de cartões, senhas.
É desde esses pastos de urtigas que pastores aproveitadores e de má conduta, comandando batalhões de anjos caídos, pastoreiam ingênuos de boa-fé com propósitos de lucro, supremacia e poder.

Ali, nesse ambiente sombrio, não valem argumentos nem razões: é o lugar dos gritos de guerra. Vale difamar, acusar sem provas. 
Rolam discursos de ódio e preconceito. 
A verdade é morta a pauladas, a lógica toma chutes no traseiro, os fatos são esganados até perderem os sentidos, o direito é expulso a pontapés. 
E estamos nisso.
*               *               *

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Neste período eleitoral - (Haja paciência!)

O país que precisa de mitos
PAULO CASSIANO JÚNIOR – página  ‘Jornal Terceira Via’


“Desde os primórdios, o ser humano sempre buscou explicação para a realidade. 
Na Grécia Antiga, quando o conhecimento era transmitido basicamente por tradição oral, os narradores (rapsodos) valiam-se de relatos fantasiosos que pretendiam elucidar ou justificar a origem do mundo, a condição do homem, o estado das coisas e os fenômenos naturais. Essa ferramenta simbólica utilizada para disseminar o conhecimento era o mito.

Uma das características da narrativa mítica era a presença do elemento misterioso. Como os rapsodos eram pessoas tidas como divinamente inspiradas e, portanto, dignas de toda confiança, seus ouvintes não encontravam incongruências em suas histórias fantásticas e sagradas. 
Questionar o mito implicava contradizer os próprios deuses. Ancorado na fé, o mito predominou até que alguns começaram a lançar sobre ele um olhar crítico, problematizador e radical. Nascia aí a filosofia.

Apesar de a narrativa mítica ter sido superada pelo pensamento filosófico, o mito sobreviveu aos tempos e agregou hoje uma outra acepção. 
Popularmente, o mito moderno designa toda pessoa detentora de poderes e habilidades superiores, capaz de alcançar feitos extraordinários. Nesse sentido, é mito quem saca uma ideia genial para resolver um problema complexo. Ou quem lança uma última palavra capaz de encerrar uma discussão travada. 
O mito é sempre aclamado pela multidão. O mito é encantador, carismático e portador de valores nobres. O mito é a síntese da virtude.
(...)
Quem trata homens de carne e osso como mitos precisa fechar os olhos para as limitações que eles apresentam e os erros que eles cometem. 
Tal como na Grécia antiga, o mito moderno só se sustenta com o ingrediente da fé, inacessível pela razão. 
Só assim os bolsonaristas ignoram o discurso sectário e antidemocrático de seu candidato. 
Também por isso os lulistas fingem não ver as evidências de corrupção partidária e enriquecimento pessoal que o ex-presidente protagonizou,
(...)
No fundo, a ânsia dos brasileiros por um salvador da pátria expõe a imaturidade da nossa cidadania. 
Ao erigirmos ídolos sobre quem recairão todas as nossas esperanças de redenção, sentimo-nos confortáveis para darmos descanso a nós mesmos da árdua tarefa diária de construção de uma nação melhor. 
O país que precisa de mitos revela a fragilidade de sua própria democracia. 
Nós não necessitamos de líderes messiânicos, mas de instituições fortes. 
Afinal, no reino dos humanos, todos os mitos possuem pés de barro.”

*            *            *


terça-feira, 25 de setembro de 2018

Boas lembranças

Se há algo de bom em envelhecer é poder lembrar esses sonhos da juventude e constatar que muitos se realizaram sim, pelo menos para mim. Hoje, só não moro mais 'lá' por circunstâncias ligadas às mudanças ocorridas no nosso cotidiano. Mas a minha casinha está 'lá'.
Interessante é pensar que, apesar de tantas mudanças e 'evolução', esse sonho de muitas pessoas permanece.
Acho que é o 'mais do mesmo'. Nós, seres humanos, somos muito esquisitos mesmo.


Os benefícios do mar

Os benefícios do mar
Luiza Fletcher • 15 de fevereiro de 2018, site 'O Segredo'


Todos aqueles que já estiveram frente ao mar pelo menos uma vez na vida, podem comprovar o quão maravilhoso é.
O mar nos faz sentir-nos conectados a algo maior, aumenta nossa alegria, nos faz refletir sobre nossas vidas e pode nos inspirar a buscar aquilo que verdadeiramente desejamos.
No entanto, seus benefícios vão além disso. 
O mar também pode nos trazer mais felicidade, aumentar nossa qualidade de vida e beneficiar nossa saúde física e mental.

Abaixo estão 8 benefícios do mar para nossas vidas, comprovados pela ciência.

1. Morar perto do mar ajuda a reduzir o estresse e induz a uma melhor qualidade de vida, é o que comprova um estudo da Nova Zelândia, que também mostrou que a cor do mar pode ajudar a diminuir estresses psicológicos.

2. O mar pode melhorar o funcionamento do nosso sistema respiratório, através do ar salgado entre as ondas. Alguns estudos comprovam que os sintomas de condições como asma e bronquite podem ser reduzidos quando estamos próximos do mar.

3. Algumas pesquisas científicas mostram que o mar pode nos incentivar a praticar atividades físicas, o que ajuda a melhorar nossa saúde por completo.

4. Nossos níveis de serotonina se equilibram perto do mar, graças ao ar oceânico, que contém íons de hidrogênio carregados negativamente. Dessa maneira, sentimos mais energia, dormimos melhor e nos sentimos mais felizes.

5. Um estudo inglês comprovou, através de experiências, que moradores de cidades litorâneas têm uma saúde melhor e vivem por mais tempo. Além disso, mostrou que as pessoas tendem a se sentirem mais saudáveis quando estão na praia.

6. Um estudo da Universidade de Exeter, na Inglaterra, mostrou que os sons do mar ,melhoram nossos sentimentos de bem-estar e autoconhecimento, porque ativam o córtex pré-frontal do cérebro, área associada às emoções e autorreflexões.

7. Estando perto do mar, temos mais propensão ao contato com o sol, o que aumenta nossa exposição à vitamina D, que melhora nossa saúde e nos previne de condições como o câncer.

8. Perto do mar, o ar é mais puro, mesmo quando está localizado dentro de uma grande cidade. O benefício do ar puro para a qualidade de vida é muito claro, não precisa de justificação científica.

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terça-feira, 4 de setembro de 2018

Incêndio Museu Nacional do Rio de Janeiro

Vergonha de ser brasileiro
Octavio Caruso - 3 de setembro de 2018


Triste noite. O incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro é o símbolo de uma cidade abandonada. Vejo da janela as chamas, o local tão lindo que visitei tantas vezes, desde criança nas excursões escolares, dois séculos de história perdidos para sempre.
A cultura chora, tentando resistir à estupidez de um povo que, por décadas, elegeu governantes e prefeitos incompetentes. Que país vergonhoso.

Um patrimônio inestimável perdido em questão de horas. “Nação”? Não, um esgoto a céu aberto. Um povo que não valoriza cultura, que despreza a memória. Uma classe política nojenta, reflexo cristalino de seus eleitores. Vergonha!

A notícia é inacreditável. Bombeiros estão com dificuldade para combater o fogo por FALTA DE ÁGUA NOS HIDRANTES”
Há testemunhas que viram bombeiros chorando porque as mangueiras estavam com furos. Bravos e valorosos profissionais, infelizmente prejudicados por um sistema podre.
(...)

Postei as mensagens acima na noite de ontem, enquanto via pela janela (...) a destruição do Museu Nacional. A revolta é grande, a vontade é desistir deste país. 
Acordo todos os dias pensando em maneiras de propagar cultura, valorização da memória e o amor pelo garimpo intelectual, mas grande parte do povo não merece este tipo de atitude.
(...) A classe política é nojenta e reflete de forma cristalina o modus operandi de grande parte do povo. 
O descaso não é responsabilidade de um governo, como muitos oportunistas sem caráter tentam agora defender, mas de todos aqueles que limparam os traseiros com a bandeira brasileira nas últimas décadas. 
Eu tenho moral para esbravejar porque vivo cultura e sempre me posicionei de forma coerente no tema e, principalmente, porque, por 10 anos, perdi noites de sono, sem folga, sem férias, sem finais de semana, trabalhando em minha área e sabendo que não recebia remuneração alguma, motivado pela esperança de que os meus esforços pudessem inspirar outrem, para que, em longo prazo, a situação nacional fosse menos deplorável. 
Ao contrário do prefeito, que concede entrevistas hoje com um quase sorriso no rosto, demonstrando desconhecer (ou desprezar) o valor inestimável do material que se perdeu no incêndio, reduzindo o local ao seu valor histórico como Palácio Imperial, choro ao lado de todos aqueles profissionais que dedicaram suas vidas à sobrevivência deste patrimônio, contra todas as probabilidades, e, mais, choro pelas crianças que ainda vão nascer nesta terra sem honra. Não há como reconstruir o que se perdeu. 
O que resta é apenas uma vergonha profunda de ser brasileiro.


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segunda-feira, 20 de agosto de 2018

ALBERT CAMUS - sobre Envelhecer

Envelhecer  (frases soltas formando o texto)
ALBERT CAMUS

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“Envelhecer é o único meio de viver muito tempo.
A idade madura é aquela na qual ainda se é jovem, porém com muito mais esforço.
O que mais me atormenta em relação às tolices de minha juventude, não é havê-las cometido…é sim não poder voltar a cometê-las.

Envelhecer é passar da paixão para a compaixão.
Muitas pessoas não chegam aos oitenta porque perdem muito tempo tentando ficar nos quarenta.
Aos vinte anos reina o desejo, aos trinta reina a razão, aos quarenta o juízo.
O que não é belo aos vinte, forte aos trinta, rico aos quarenta, nem sábio aos cinquenta, nunca será nem belo, nem forte, nem rico, nem sábio…

Quando se passa dos sessenta, são poucas as coisas que nos parecem absurdas.
Os jovens pensam que os velhos são bobos; os velhos sabem que os jovens o são.
A maturidade do homem é voltar a encontrar a serenidade como aquela que se usufruía quando se era menino.
Nada passa mais depressa que os anos.

Quando era jovem dizia:
“verás quando tiver cinquenta anos”.
Tenho cinqüenta anos e não estou vendo nada.

Nos olhos dos jovens arde a chama, nos olhos dos velhos brilha a luz.
A iniciativa da juventude vale tanto a experiência dos velhos.
Sempre há um menino em todos os homens.

A cada idade lhe cai bem uma conduta diferente.
Os jovens andam em grupo, os adultos em pares e os velhos andam sós.
Feliz é quem foi jovem em sua juventude e feliz é quem foi sábio em sua velhice.
Todos desejamos chegar à velhice e todos negamos que tenhamos chegado.
Não entendo isso dos anos: que, todavia, é bom vivê-los, mas não tê-los.”
**

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Linda surpresa

Ouvindo música no youtube, me vi surpreendida e encantada com este poema como 'comentário' sobre a música de Fariborz Lachini, (NÃO É Chopin)  "Joie de vivre":

"Se donne à voir 
Se donne à écouter 
Se donne à se taire 
Se donne à toucher 
Du bord des yeux
Se donne à embrasser 
La vie
Se donne 
Lentement
Sans un bruit 
Plus haut que l'autre..."
*
ROUGE CERISE - (7 meses atrás)


***

A alma antiga

Da página APost , sem assinatura de autoria


Algumas pessoas parecem ser sábias demais para sua idade e muitas vezes preferem viver tranquilamente, enquanto observam a vida à distância. Essas pessoas pacíficas e estáveis são frequentemente consideradas detentoras de almas antigas. Acredita-se que elas tenham internalizado a sua visão do mundo de vidas passadas.

Almas velhas experimentam a vida de forma diferente das pessoas que as cercam e geram sentimentos de paz e calma em um mundo caótico. Sua natureza iluminada faz com que pensem e reajam de maneira diferente do restante de nós. 

Almas antigas têm amizades duradouras

Frequentemente, o detentor de uma alma antiga pode sentir que tem pouco em comum com pessoas da sua idade. Almas velhas não parecem estar interessadas nos tipos de atividades ou buscas daqueles com quem convivem. Em vez disso, a alma antiga vai procurar a companhia de um grupo seleto de poucas pessoas com as quais se identifica. Almas antigas procuram amigos com os quais se conectam por causa da afinidade entre seus espíritos.

Almas antigas seguem seu próprio caminho

O detentor de uma velha alma raramente parece fazer o que se espera dele. Ele parece dar pouco valor a buscas materialistas. Ele não está à procura de poder ou riqueza. Em vez disso, dirige-se em direção à sua própria autorrealização e à verdadeira felicidade. Essas almas antigas são frequentemente espiritualizadas, conectadas e instruídas.

Almas antigas se adaptam com facilidade

A alma velha é uma observadora e rapidamente se adapta a novas situações. Elas podem se achar excluídas e mal compreendidas nesta vida, mas não são anti-sociais. As almas antigas são naturalmente curiosas. Essa curiosidade frequentemente as leva a conversas mais significativas e menos superficiais. Se a alma velha não puder conduzir uma conversa para uma direção significativa, ela pode abruptamente encerrar a conversa e seguir seu caminho.

As almas velhas buscam conhecimento

O possuidor de uma velha alma é um intelectual. Para ele, o conhecimento traz sentimentos de felicidade e poder. Ele gosta de analisar todas as situações, esforçando-se para continuar aprendendo valiosas lições de vida. A alma antiga nem sempre tem que estar correta em suas crenças. Ela gosta de ter seus pensamentos e crenças desafiados pelos outros.

A alma antiga é espiritualizada

Almas antigas estão continuamente buscando a iluminação espiritual. Isso não precisa significar que se dediquem a uma religião. Elas podem estar em sintonia com muitas crenças e rituais antigos. Estão em busca de tradições e conexões espirituais que lhes tragam a verdadeira felicidade.

A alma antiga vê vida para além do presente

Aqueles que têm uma alma velha vivem sua vida sem complicá-la com detalhes do presente. Eles vêem a vida como uma série de consequências de uma série de ações. Em vez de se concentrarem só no dia de hoje, pensam mais à frente do que as pessoas que os rodeiam costumam fazer. Isso lhes dá uma perspectiva incomum e uma compreensão diferente de como o mundo funciona. A mente da alma antiga raramente se encontra obstruída por materialismo ou vaidade.

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