terça-feira, 16 de agosto de 2016

Nunca é o suficiente ...- Nicole Ayres

Nunca é o suficiente – e como isso pode ser bom
Nicole Ayres - em "Homo Literatus"

1a

Eu devia ler mais. Escrever mais. Ver mais filmes. 
Mas você já lê tanto, já vê tantos filmes, já escreve tanta coisa, os outros dizem, espantados. Entendam. Nunca é o suficiente. Nunca é bom o suficiente, grande o suficiente, intenso o suficiente. Apenas quem tem essa rigidez crítica consigo mesmo, essa necessidade absurda de querer sempre mais da vida, essa fome infinita de conhecimento, pode compreender a angústia de ter que lidar com a limitação. 
Em primeiro lugar, do nosso corpo, posto que cansamos, adoecemos e, por fim, inevitavelmente, morremos. 
Depois, do nosso tempo, já atribulado com os afazeres cotidianos, rotina menos sofrida quando trabalhamos com o que nos agrada, porém sempre restritiva do nosso lazer.

Essa limitação nos impõe escolhas terríveis, dolorosas, do tipo ai, meu Deus, eu queria ler esse livro, mas já tem pelo menos uns dez na fila, preciso descansar, estou perdendo tempo no Facebook por quê, eu não devia, poderia estar estudando, só que não tenho energia, minha vontade é, cadê minha vontade, vamos tomar mais café, dormir é para os fracos, tá maluco, não tô, não tô conseguindo lidar.

A ansiedade é própria da nossa época, provocada pela aceleração do ritmo de vida na modernidade, o que nos dá a impressão de que as horas voam, e pelo excesso de estímulos, sonoros, visuais, quase nos tornando insensíveis. 
Num cenário de múltiplas opções, a escolha é cada vez mais difícil, o que gera angústia, insegurança, será que eu fiz direito, será que entendi certo, será que é isso mesmo que quero pra minha vida?

Calma. Respira. O mundo não vai acabar hoje (e, mesmo que acabe, não existe nada que você possa fazer a respeito). 
Consideremos a perspectiva positiva dessa inquietação. 
Se nada nunca é o suficiente, tudo sempre pode melhorar. 
Um mundo de possibilidades se abre à nossa frente, para ser explorado, sonhado, vivido, até onde formos capazes. 
Verdade, nunca vai ser o suficiente. 
Mas pode ser bom o suficiente. E isso basta.

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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Arte Fotográfica - Otacílio Rodrigues

Outros lindos trabalhos de OTACÍLIO RODRIGUES

Resende, agosto de 2016.

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Céu de agosto
Foto feita em Resende no dia 6 às 17:21.

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domingo, 14 de agosto de 2016

Abertura Olimpíadas - Sakamoto

Por que criticar a abertura das Olimpíadas me torna
 um pária neste sábado?
Leonardo Sakamoto 06/08/2016,  12:20


Este autor gosta de esportes (tem até amigos que praticam), não desgosta das Olimpíadas (mas acha um crime ela ter passado por cima de tanta gente pobre para ser realizada), não tem complexo de vira-lata (mas pensa que falta autocrítica ao brasileiro) e não é saudosista (apenas considera muito triste as figuras de linguagem estarem caindo em desuso, enquanto a mesóclise volta à moda).

Dito isso, preciso confessar que faço parte do grupo de pessoas que, assistindo à cerimônia de abertura, não caiu em prantos, não achou a coisa mais linda desse mundo, não sentiu mais orgulho por ser brasileiro, não esqueceu seus problemas naquele instante e não saiu transbordando com “espírito olímpico''. Quanto a esse último ponto, vou dar uma passada numa loja licenciada pelo Comitê Olímpico Internacional, logo mais, para ver se compro um pouco e reponho.

O que, de certa forma, me torna um pária, neste sábado, pós-festança no Maracanã.

Teve muita coisa legal, claro. A escolha do maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima para acender a pira, alguém que ganhou apesar de perder – o que diz muito sobre o que deveria ser o esporte. E não tem como ver a Palestina entrar como uma delegação independente, empunhando sua bandeira, e passar incólume. Ou presenciar o time de atletas refugiados ser ovacionado – no que pese a mesma sociedade que aplaude, no dia seguinte, reclama de “haitiano que vem ao Brasil só para roubar nossos empregos''. Ou o Guga. E a Elza. E, é claro, o Gil. E, por fim, pena que Michel Temer não foi à abertura. Pelo menos, não ouvi ele sendo anunciado… (ok, enquanto houver resistência, vai haver figura de linguagem).

E não seria diferente porque foi escalado um time competente para organizar a abertura – time que, com um orçamento pequeno, fez milagre – que é uma palavra melhor que “jeitinho'' ou “gambiarra'', termos que circularam para justificar o ajustes de última hora.

Sabemos fazer uma balada. E sabemos transformar uma grande balada num bom negócio. E transformar tudo em um grande elixir para esquecer, nem que seja por um momento, como a vida tem sido ruim. Afinal de contas, temos a experiência de mais de um século de carnaval.

Invasão portuguesa na terra que era ocupada por indígenas - o "invasão" não foi meu, mas de Glória Maria, na transmissão na noite desta sexta (5). Foto: Issei Kato/Reuters
Invasão portuguesa na terra que era ocupada por indígenas – o “invasão'' não foi meu, mas de Glória Maria, na transmissão na noite desta sexta (5). Foto: Issei Kato/Reuters

E é bom que essas fugas aconteçam, para não enlouquecermos na racionalidade dura do dia a dia. Seria mais fácil se a maconha fosse legalizada e não apenas ansiolíticos de indústrias farmacêuticas, contudo isso é outra história.

Mas a mistura de bombardeio midiático, mais especificamente do poder da narrativa do pão e circo televisivo, em um evento que nos coloca por algumas horas como umbigo do mundo, ajuda a despertar um furor nacionalista, quiçá patriótico, em muita gente. E ai de quem não estiver feliz e radiante nesse momento em que, nós brasileiros, mostramos ao mundo finalmente quem somos. Criticar momentos de catarse é pedir para ser queimado na fogueira da rede social.

Por exemplo, foi importante a mensagem sobre a necessidade de frear as mudanças climáticas. O que ela não diz é que os próprios Jogos Olímpicos contribuem para esse processo, com extensas cadeias produtivas causando impactos ambientais e sociais a milhares de quilômetros do Rio e a falta de comprometimento de muitas empresas envolvidas direta ou indiretamente com o evento com padrões mínimos de sustentabilidade como mostraram estudos divulgados no último ano.

O discurso ambiental posto dessa forma torna-se mais um produto de entretenimento para consumo rápido, a fim de satisfazer nossas ansiedades e resolver nossas contradições. É como se emocionar ao assistir a Wall-E, a simpática animação que trata de um mundo que sofreu um apocalipse ambiental, e logo depois ir comprar os bonequinhos de plástico do robô protagonista da história. E, nós jornalistas, contribuímos com isso ao transmitir tudo de forma acrítica, sem lembrar que nem o governo, nem as empresas, nem a sociedade estão mudando seus hábitos na velocidade necessária para que cidades não sejam invadidas pelo mar nas próximas décadas. É como se tudo fosse culpa de aliens.

Na verdade, nem conseguimos entregar uma baía da Guanabara e uma lagoa Rodrigo de Freitas despoluídas para os jogos. Quiçá adotar uma mudança real em nosso modelo de desenvolvimento.

Modelo de desenvolvimento que segue transformando a vida de populações tradicionais um inferno. Mas tal como em todo 19 de abril, Dia do Índio, resgatamos sua imagem e a usamos para saudar nossa trajetória de harmonia e nossa democracia étnica. E sentimos orgulho em uma história que deveria, pelo contrário, provocar vergonha. E pedidos de desculpas públicos.

Perdoe-me se isso soa chato. Só que chato mesmo é tomar bala de fazendeiro no Mato Grosso do Sul. Ou ver seu rio secar para que Belo Monte possa funcionar. Ou ser queimado vivo em um ponto de ônibus de Brasília. Ou perceber que jovens negros e pobres seguem carregados para uma vida incerta e curta, tal como seus antepassados – roubados da África séculos atrás nas naus representadas na abertura.

É óbvio que ninguém está pedindo para colocar o Banksy como Mestre de Cerimônia. Seria o oposto do que se espera para um evento como esse, que deve ser altivo e inspirador. É um show. Como show cumpriu seu papel. E como show deve continuar.

E, é claro, que analisar a abertura, ao contrário do que afirmam algumas pessoas, não me desautoriza a ver os jogos pela TV. Vou acompanhar e torcer muito.

Mas isso não significa que a divulgação acrítica da história e da realidade do país deva ser o tom predominante em torno do que vemos e ouvimos nesta sexta (5). Essa tarefa não é de quem organizou a festa, mas nossa, de quem a assistiu.

Utilizar esses momentos também para refletir sobre o abismo entre a imagem de país que gostamos de vender ao mundo e o país que realmente somos é fundamental. Para que possamos aproximar desejo e realidade o máximo possível e tornar a efetivação da dignidade algo cotidiano.

Porque as Olimpíadas se vão. Mas o Brasil vai continuar o que era antes, de mãos dadas às suas contradições.

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terça-feira, 9 de agosto de 2016

Foto Arte -Otacílio Rodrigues

"Primeira imagem de domingo na terça"
Otacílio Rodrigues

Foto feita anteontem, Domingo, 07 de agosto 2016, em Resende às 08:06.

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Lua de agosto
Foto feita em Resende no dia 6 de agosto, 2016, às 20:43.


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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Efeito Estamira



Tento tentado, juro, expor com a maior sinceridade algumas preocupações em relação ao que vivemos atualmente.  Penso que não sou convincente ou digna de crédito.
O que ouço e leio por aí são frases feitas, trechos de livros de autoajuda, filosofias das mais esquisitas e complicadas, receitas de felicidade (!), orações, rezas, simpatias, mandingas de todo tipo pedindo proteção - e  vida 'próspera' (leia-se dinheiro), quase sempre .
Nada relacionado às muitas questões do momento.
Esta postagem reflete um certo temor do que pode acontecer a qualquer um de nós quando nos sentimos sós.
Afastados por não contribuir para aumentar o coro dos que se adaptaram perfeitamente aos 'novos tempos' a tendência é calar, se resguardar e assim, voluntariamente, instala-se o processo de reclusão. O 'diagnóstico' social é implacável: depressão (para ser suave), problemas psíquicos, psiquiátricos ou outro rótulo qualquer amparado por 'referências científicas'  de origem bem duvidosa. A famosa psicologia de botequim.
Isso, sem falar na alegria fabricada, no humor - também duvidoso - das piadas,  do hábito de frequentar multidões em baladas,  festas, shows e o que mais possa atordoar os sentidos.
Confesso que estou com medo de viver.
Há vozes que não são percebidas. Vem então a lucidez dos sentimentos a dizer que não há loucura em se pensar diferente dos demais.

Não consigo coordenar direito os pensamentos, nem as palavras depois de assistir, na tarde de hoje, no Canal Brasil, ao documentário de Marcos Prado sobre  Estamira.
Eu já conhecia alguma coisa - muito pouco - dessa história e até publiquei no outro blog  uma pequena matéria sobre o assunto.
Hoje, entretanto, por motivos particulares, por coisas minhas, o impacto foi maior. Recorri, assim, ao google na página Wikipédia.

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Wikipédia:
Estamira Gomes de Sousa (Estamira), conhecida por protagonizar documentário homônimo, foi uma senhora que apresentava distúrbios mentais, vivia e trabalhava (à época da produção do filme) no aterro sanitário de Jardim Gramacho, local que recebe os resíduos produzidos na cidade do Rio de Janeiro. 
Tornou-se famosa pelo seu discurso filosófico, uma mistura de extrema lucidez e loucura, que abrangia temas como: a vida, Deus, o trabalho e reflexões existenciais acerca de si mesma e da sociedade dos homens. 
"Ela acreditava ter a missão de trazer os princípios éticos básicos para as pessoas que viviam fora do lixo onde ela viveu por 22 anos. Para ela, o verdadeiro lixo são os valores falidos em que vive a sociedade", comentou Marcos Prado, diretor do filme. 
O documentário "Estamira" teve repercussão internacional, angariando muitos prêmios e o reconhecimento da crítica.

Estamira, que sofria de diabetes, morreu aos 70 anos por consequência de uma septicemia; ela foi internada no dia 26 de setembro por causa de uma infecção no braço e após dois dias no aguardo de atendimento no corredor do hospital, o quadro avançou para uma infecção generalizada, à qual ela não resistiu e faleceu no Hospital Miguel Couto, no Rio de Janeiro em 28 de setembro de 2011. 

Marcos Prado, diretor do documentário que retratou parte de sua vida cotidiana, lançou uma nota de pesar e lamentou o descaso que ele e Ernani, filho de Estamira, dizem ter sofrido Estamira.
Na nota, entre outras Marcos Prado relata "Estamira ficou invisível pela falência e deficiência de nossas instituições públicas. Morreu depois de ficar dois dias esperando por atendimento nos corredores da morte do serviço público de saúde do Hospital Miguel Couto. 
Ela estava com uma grave infecção no braço, mas foi tardiamente atendida. Obrigado meus políticos de Brasília, do Rio de Janeiro, que roubam nosso dinheiro e enfiam sei lá onde".
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Dizeres de Estamira
Brasigois Felício - 'Revista Bula' 29/06/2010, 03:31 PM


Estamira é uma mulher do povo, catadora em um dos lixões da Baixada fluminense. Dizem que é doida de pedra, mas é de uma lucidez delirante, tem um discurso apocalíptico, o que teria um Nietzsche antes de mergulhar na escuridão, ou de um Glauber Rocha, na fase em que anunciou ao universo ser o General Golbery do Couto e Silva um gênio da raça, ou um Geraldo Vandré, ao propor uma santa como padroeira do Exército. 

Mire e veja: louco talvez seja quem assim o diz — e não é feliz. Estamira jura de pés juntos que é melhor não ser um normal, normoticamente encaixotado na vidinha hipócrita e trivial do burguês com 90% de cifras na alma enferrujada. 

Pouco e malmente esquentou bancos de escola. Menos ainda leu Clarice Lispector, nem sabe quem ela foi — nem é afeita à leitura de livros, menos ainda tem rompantes de ser leitora ou poetisa. Contudo, uma poesia alucinada brota, em cascata, por sua boca sempre sorridente, a não ser quando fica brava com a humanidade, e dana a lançar faíscas, estalos de Vieira, em frases cortantes como navalha. 

Coerência em sua fala catártica e apoplética quase não há — mas perguntar não ofende, lógica e acessibilidade à mente cartesiana e superficial também não existe nas obras de James Joyce, de Clarice Lispector, de Guimarães Rosa, Sousândrade, e de certos poetas vanguardistas? 
Como no discurso viperino, lançado às escuta impossível da cidade vertiginosa, repleto de indignação e raiva, que proferiu no lixão, diante de cineastas que a filmavam: “Existe a lucidez e a ilucidez. A gente aprende alguma coisa de tanto lucidar”. 

Mais adiante, assumindo a postura de um Antonio Conselheiro de saias, pregando aos fanáticos insurrectos, antes do trágico e covarde assalto final aos casebres de Canudos: “Vocês não aprenderam nada na escola. Vocês só copiam hipocrisias e mentiras charlatais!”. 

Não bastando o peso da acusação, dirigida a toda a humanidade, e sem excluir a equipe de cineastas que filmava seu discurso apocalíptico: “Eu não sou como vocês, que são apenas robôs sanguíneos!”. 

Para Estamira, “Neste mundo de maldades não tem mais o inocente. O que tem, isto sim, por todo lado, é o esperto ao contrário”. 

Comovente de se ver é o prazer de Estamira no cozinhar para suas netas, que de vez em quando a visitam, em seu barraco, na favela. Ou a ternura e cuidado com que cuida de seus muitos cães e gatos. Tudo em seu casebre é limpo. 

Psiquiatras que lhe passam remédios para amenizar o que chamam de surtos de alucinação, tratam de Estamira como uma delirante, apenas. 
Não é de se espantar: Lima Barreto, Antonin Artaud, Cruz e Sousa, José Décio Filho, e outros gênios da literatura foram internados como doidos de pedra — sendo que este último escreveu suas melhores obras no hospício, entre uma e outra sessão de eletro-choque. 

Para não dizerem que não terminei esta crônica com os dizeres de Estamira, vão aqui mais umas faíscas de seu lucidar delirante: 
“Tempo eterno é tempo infinito, mas tem o além e o além do além. Nenhum cientista foi até o além, quanto menos no além do além. Para mim, tudo o que nasce é nativo, isto é, natal”. 

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Morre Estamira, personagem-título 
de premiado documentário brasileiro

Ela estava internada desde terça (26), no Hospital Miguel Couto, no Rio.

Estamira
 Estamira Gomes de Sousa, personagem-título do premiado documentário brasileiro "Estamira", morreu no início da noite desta quinta-feira (28), no Rio.

Segundo a Secretaria municipal de Saúde, Estamira, de 70 anos, estava internada no Hospital Miguel Couto, na Gávea, Zona Sul da cidade, desde a última terça-feira (26) e morreu com consequência de uma septicemia (infecção generalizada).

Marcos Prado, diretor do documentário, falou sobre o convívio com a catadora de lixo, que também era diabética, e que há mais de 20 anos trabalhava no aterro sanitário em Gramacho, localizado no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

"Foi fascinante. Ela era quase que uma profetisa dos dias atuais, uma pessoa muito legítima. Jamais montamos suas frases na edição. Todos os discursos incluídos no filme são contínuos. Ela acreditava ter a missão de trazer os princípios éticos básicos para as pessoas que viviam fora do lixo onde ela viveu por 22 anos. Para ela, o verdadeiro lixo são os valores falidos em que vive a sociedade", comentou Prado.

 Ernani, um dos três filhos deixados por Estamira, ainda não sabe exatamente qual será o destino do corpo da mãe. "Estamos querendo fazer o sepultamento no Cemitério do Caju, onde minha avó foi enterrada, mas ainda não tive muito tempo para resolver essas coisas. Por isso, não sei quando será o enterro".

Negligência

 Tanto Ernani quanto o diretor Marco Prado, que ajudou na internação da catadora, acusam o hospital de negligência. "Ela foi inadequadamente atendida. Ficou literalmente abandonada nos corredores do hospital sem nenhum tipo de atendimento, só com o filho como testemunha. E isso quando já existia o diagnóstico de infecção generalizada. A indignação é grande. E é triste saber que outras Estamiras vão morrer pelo mesmo descaso", destacou o cineasta.

 Procurada pelo G1, a Secretaria municipal de Saúde negou as acusações e afirmou que em momento algum a paciente foi acomodada em um dos corredores do hospital, onde, segundo a administração da unidade, é proibido internar pacientes.

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Documentário relata a história 
de uma senhora que cata lixo em Gramacho 

'Estamira' relata a vida de uma senhora tachada como louca pela família e médicos, porém de uma lucidez incrível. 
Este foi o primeiro documentário do fotógrafo Marcos Prado, vencedor de um total de 23 prêmios nacionais e internacionais. 
O cenário é no aterro sanitário do Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, Rio de Janeiro, onde são jogadas, por dia, mais de 8 mil t de lixo.


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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Poeira Estelar - Elenice Bastos

Da página "Hierophant"

Poeira Estelar 
Elenice Bastos


Nunca fui de muita religião. Respeito todas. Mas confesso que pouco pratiquei a religiosidade, propriamente, dita. 
Quando criança, acompanhava meus pais às missas mas, ficava um pouco perdida entre salmos, orações, etc. Frequentávamos a igreja católica e no catolicismo fui batizada. 
Acho que todos podem e devem procurar o seu caminho espiritual.  E devemos seguir aquele com o qual mais nos identificamos. 

Aos poucos, fui ainda mais me afastando do catolicismo e de qualquer outra religião. Porque para mim, ficava difícil entender por que um “Deus” amoroso e misericordioso castigava alguns e absolvia outros. 
Se Deus é amor, não deveria amar a todos da mesma maneira? Pode ser que cada um tenha a sua resposta. Eu, particularmente, acredito no Deus que habita em cada um de nós. Acredito que para conversar com Deus, devemos olhar para dentro de nós mesmos e procurar nos conhecer um pouco mais a fundo. Do que adiantaria o perdão de Deus se primeiro, não perdoarmos a nós mesmos? Precisamos nos livrar da culpa, do medo e acreditar que nossa essência é puro amor. O mal é a ausência do bem. 
O caminho é longo mas um dia, todos teremos consciência de que fomos feitos para o bem, para a união e a felicidade.

Eu acredito que exista uma “Inteligência Divina”. E que essa Inteligência é responsável pelo perfeito funcionamento de tudo o que possa existir no Universo. 
Acredito que a raça humana tenha sido criada para a felicidade mas, infelizmente, nós humanos fazemos questão de complicar o que poderia ser tão simples. 
Quando penso em Deus, logo de imediato, me vem à mente a maravilhosa “Mãe Natureza”. 
Pode haver beleza maior do que um por de sol? O colorido de um jardim florido, o mar com suas marés altas e baixas, a imponência das montanhas? Toda beleza de um céu completamente aceso à noite...Pode haver coisa mais bela? 
Eu costumo comparar o Universo com um enorme “Quebra Cabeças”, onde aos poucos, as pecinhas vão se encaixando dentro de um determinado tempo. Quando não conseguimos encaixar todas as peças, voltamos e repetimos tudo de novo. Podemos mudar as cores, os formatos, os tamanhos e a temática do jogo mas, o objetivo será o mesmo. Deveremos completar o grande “Quebra Cabeças” de nossas vidas.

Mas infelizmente, a nossa estada nesse paraíso terrestre dura pouco. 
Quando olhamos para trás, nos damos conta de que foram-se os anos os planos, os sonhos...Devemos, portanto, viver intensamente cada momento, cada oportunidade, porque são únicos. 
Por que não viver a vida com mais leveza, mais beleza mais pureza na alma? 
Poderíamos, para começar, amar mais, perdoar mais, cantar, pular, dançar...Sentir os primeiros raios de sol da manhã aquecendo a pele e agradecer por tudo isso.

Ao longo de nossa existência conhecemos tanta gente. Às vezes, temos a sorte de encontrar pelo nosso caminho, pessoas sábias e inteligentes. 
Sim, todo sábio, letrado ou não, é inteligente. Mas nem todo inteligente é sábio. 
Aquele que é somente inteligente, pode usar de sua inteligência para a prática do mal. Já o sábio aprende e ensina com o coração, com a alma. É aí, que mora a “Sabedoria”. 

Há pessoas tão lindas que passam pela nossa vida... Pessoas sábias, inteligentes, iluminadas.
Essas pessoas nos fazem enxergar a vida com outros olhos. Nos fazem sorrir, nos libertam de conceitos e preconceitos ultrapassados que não nos servem pra nada, nos abrem a mente. 
Sim, é preciso expandir o pensamento, o conhecimento.  Nos fazem acreditar que tudo é   possível, e que atrás do arco-íris, a vida é sempre colorida. 
A permanência desses seres em nossa vida nem sempre é duradoura. 
Muitas vezes, não se demoram muito. Eles nos encontram, nos ensinam a lição e partem, sem aviso, sem adeus e sem promessas. E deixam tanta saudade...  
Alguns partem para outras cidades ou países. Outros, voltam para casa, para a morada eterna, o grande “Cosmos” e viram pó de estrela. 

Mas mesmo, assim, mesmo tendo partido para outra dimensão, essas lindas e encantadoras pessoas, continuam nos ensinando a apreciar o belo, pois nos obrigam, todas as noites, a olhar para o Céu. 
E, se observarmos com atenção, logo, logo, poderemos percebê-las, na beleza da constelação com o seu inconfundível brilho a nos dar longas piscadelas de puro amor e energia.


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domingo, 31 de julho de 2016

Elis Regina e Milton Nascimento - preciosidade


Postagem da amiga Tel Mont.



Pout-pourri: Golden Slumbers/ Carry That Weight/ The End

Once there was a way
To get back home
Once there was a way
To get back home
Sleep pretty darlin' do not cry
And I will sing a lullaby

Golden slumbers fill your eyes
Smiles to greet you when you rise
Sleep pretty darlin' do not cry
And I will sing a lullaby

Once there was a way
To get back home
Once there was a way
To get back home
Sleep pretty darlin' do not cry
And I will sing a lullaby

Hey boy, you got to carry that weight
Carry that weight a long time
Boy, you got to carry that weight
Carry that weight a long time

I never give you my pillow
I only send you my invitation
And in the middle of the celebration
I pray now

Hey boy, you got to carry that weight
Carry that weight a long time
Boy, you got to carry that weight
Carry that weight a long time

Oh yeah.
Alright.
Are you gonna be in my dreams
Tonight.

Love you. Love you. Love you. Love you.
Love you. Love you. Love you. Love you.

And in the end,
The love we take
Is equal to the love we make

*        *        *

terça-feira, 12 de julho de 2016

Clarice (da Telma)

Da amiga Tel Mont, na perda de Clarice, sua amiguinha de quatro patas 

"Essa dor, preciso desnudar-me dela, a dor de vê-la partir. Para o Indefinido.
Clarice, Clarice, há quanto tempo nos tivemos, mas agora treze anos parecem tão pouco diante da ausência dos latidos e lambeijos em festa pelo simples fato de eu ter acordado, de eu ter voltado de algum lugar (do trabalho distante ou dali da esquina...). 
Esse absurdo sentimento que não há jeito de nós, humanos, aprendermos. Esse dom de fazer o Outro saber que é amado, dentro do agora, que é querido, de uma forma incansável, transparente, sem adiamento e sem pudor. 
Felizardos são os cães, independentes do cabresto das palavras; felizardos são, que só entendem de sons e olhares profundos, de odores e olores, o cheiro do "dono" e da comida preferida.
Clarice se foi.
Clarice que gostava de dormir ao sol da manhã, perto do portão. Que fechava os olhos e oferecia a carinha ao vento ou ao chuvisco, tão puro 'carpe diem'. Que recriminava, com latidos enérgicos, relâmpagos e trovões. Que sempre ignorou sua graciosa pequenez diante do mundo. 
Baixinha Clarice, atrevida Clarice. Ora pinotes, ora passinhos delicados.
"Cadê o meu bebê?" Está aqui, aqui dentro, passeando calmamente à brisa do meu amor. Olha, Clarice, um feixe de sol...! Durma, querida, durma. Não há mais dor, não há mais sofrer. 
Hoje a tão pequena sou eu, devastada pela saudade diante da "sua" cadeira... vazia.

Até um dia, até de repente... Quando também eu atravessar para a "terceira margem do rio" - esse mistério, reconhecerás minha voz quando eu novamente chamar o teu nome? "
(TelMont)



Clarice (da Telma)

Operação Verniz no Rio - Jogos Olímpicos

Rio de Janeiro começa a passar por processo 
de embelezamento para os Jogos

MARCEL MERGUIZO e PAULO ROBERTO CONDE - Jornal Folha de S.Paulo
ENVIADOS ESPECIAIS AO RIO - 12/07/2016  02h00


A menos de um mês do início dos Jogos Olímpicos, a Prefeitura do Rio começou o "envelopamento" da cidade.

Por "envelopar" entende-se um processo de embelezamento, pelo qual passa a instalação de adesivos, bandeiras e painéis que custaram aos cofres públicos R$ 750 mil, segundo a Secretaria de Turismo do município.

Rio de Janeiro RJ,BRASIL, 11/07/2016 ; Placas com decoração olímpica fora colocadas em muro que separa o complexo da Maré da principal via em que turistas irão chegar ao Rio de Janeiro. (Foto: Ricardo Borges/Folhapress. ) *** EXCLUSIVO FOLHA***

Um dos locais enfeitados no fim de semana foi a Linha Vermelha, via expressa de acesso ao Aeroporto Internacional do Galeão, onde desembarcarão turistas e atletas que competirão nos Jogos, cujo início é 5 de agosto.

"Essa 'adesivagem' no painel acústico ali da Linha Vermelha dá um movimento. Não é para esconder a favela, nunca foi. É para decorar e botar a cidade no clima olímpico", diz à Folha o secretário de turismo Antonio Pedro.

Segundo ele, a instalação dos adesivos nos painéis que ficam, por exemplo, em frente ao Complexo da Maré, custou R$ 200 mil ao município.

Os painéis, que começaram a ser erguidos em 2010, têm 3 metros de altura e ocupam um trecho de cerca de 7 km, muitos deles já pintados anteriormente.

A Prefeitura é responsável pelo "look" da cidade, enquanto o comitê organizador da Rio-2016 cuida do visual dos Jogos, ou seja, dentro das arenas de competição. Ambos seguem o mesmo padrão gráfico e estético.

Outros pontos da cidade já receberam ou ainda vão receber esta maquiagem olímpica, como a avenida Brasil, o túnel Engenheiro Coelho Cintra (conhecido como Túnel Novo), a orla da zona sul, Aterro do Flamengo etc.

Rio de Janeiro RJ,BRASIL, 11/07/2016 ; Placas com decoração olímpica fora colocadas em muro que separa o complexo da Maré da principal via em que turistas irão chegar ao Rio de Janeiro. (Foto: Ricardo Borges/Folhapress. ) *** EXCLUSIVO FOLHA***

sábado, 2 de julho de 2016

Sonho de consumo

Após essa sequência, que mais se pode desejar?








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