terça-feira, 9 de agosto de 2016

Foto Arte -Otacílio Rodrigues

"Primeira imagem de domingo na terça"
Otacílio Rodrigues

Foto feita anteontem, Domingo, 07 de agosto 2016, em Resende às 08:06.

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Lua de agosto
Foto feita em Resende no dia 6 de agosto, 2016, às 20:43.


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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Efeito Estamira



Tento tentado, juro, expor com a maior sinceridade algumas preocupações em relação ao que vivemos atualmente.  Penso que não sou convincente ou digna de crédito.
O que ouço e leio por aí são frases feitas, trechos de livros de autoajuda, filosofias das mais esquisitas e complicadas, receitas de felicidade (!), orações, rezas, simpatias, mandingas de todo tipo pedindo proteção - e  vida 'próspera' (leia-se dinheiro), quase sempre .
Nada relacionado às muitas questões do momento.
Esta postagem reflete um certo temor do que pode acontecer a qualquer um de nós quando nos sentimos sós.
Afastados por não contribuir para aumentar o coro dos que se adaptaram perfeitamente aos 'novos tempos' a tendência é calar, se resguardar e assim, voluntariamente, instala-se o processo de reclusão. O 'diagnóstico' social é implacável: depressão (para ser suave), problemas psíquicos, psiquiátricos ou outro rótulo qualquer amparado por 'referências científicas'  de origem bem duvidosa. A famosa psicologia de botequim.
Isso, sem falar na alegria fabricada, no humor - também duvidoso - das piadas,  do hábito de frequentar multidões em baladas,  festas, shows e o que mais possa atordoar os sentidos.
Confesso que estou com medo de viver.
Há vozes que não são percebidas. Vem então a lucidez dos sentimentos a dizer que não há loucura em se pensar diferente dos demais.

Não consigo coordenar direito os pensamentos, nem as palavras depois de assistir, na tarde de hoje, no Canal Brasil, ao documentário de Marcos Prado sobre  Estamira.
Eu já conhecia alguma coisa - muito pouco - dessa história e até publiquei no outro blog  uma pequena matéria sobre o assunto.
Hoje, entretanto, por motivos particulares, por coisas minhas, o impacto foi maior. Recorri, assim, ao google na página Wikipédia.

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Wikipédia:
Estamira Gomes de Sousa (Estamira), conhecida por protagonizar documentário homônimo, foi uma senhora que apresentava distúrbios mentais, vivia e trabalhava (à época da produção do filme) no aterro sanitário de Jardim Gramacho, local que recebe os resíduos produzidos na cidade do Rio de Janeiro. 
Tornou-se famosa pelo seu discurso filosófico, uma mistura de extrema lucidez e loucura, que abrangia temas como: a vida, Deus, o trabalho e reflexões existenciais acerca de si mesma e da sociedade dos homens. 
"Ela acreditava ter a missão de trazer os princípios éticos básicos para as pessoas que viviam fora do lixo onde ela viveu por 22 anos. Para ela, o verdadeiro lixo são os valores falidos em que vive a sociedade", comentou Marcos Prado, diretor do filme. 
O documentário "Estamira" teve repercussão internacional, angariando muitos prêmios e o reconhecimento da crítica.

Estamira, que sofria de diabetes, morreu aos 70 anos por consequência de uma septicemia; ela foi internada no dia 26 de setembro por causa de uma infecção no braço e após dois dias no aguardo de atendimento no corredor do hospital, o quadro avançou para uma infecção generalizada, à qual ela não resistiu e faleceu no Hospital Miguel Couto, no Rio de Janeiro em 28 de setembro de 2011. 

Marcos Prado, diretor do documentário que retratou parte de sua vida cotidiana, lançou uma nota de pesar e lamentou o descaso que ele e Ernani, filho de Estamira, dizem ter sofrido Estamira.
Na nota, entre outras Marcos Prado relata "Estamira ficou invisível pela falência e deficiência de nossas instituições públicas. Morreu depois de ficar dois dias esperando por atendimento nos corredores da morte do serviço público de saúde do Hospital Miguel Couto. 
Ela estava com uma grave infecção no braço, mas foi tardiamente atendida. Obrigado meus políticos de Brasília, do Rio de Janeiro, que roubam nosso dinheiro e enfiam sei lá onde".
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Dizeres de Estamira
Brasigois Felício - 'Revista Bula' 29/06/2010, 03:31 PM


Estamira é uma mulher do povo, catadora em um dos lixões da Baixada fluminense. Dizem que é doida de pedra, mas é de uma lucidez delirante, tem um discurso apocalíptico, o que teria um Nietzsche antes de mergulhar na escuridão, ou de um Glauber Rocha, na fase em que anunciou ao universo ser o General Golbery do Couto e Silva um gênio da raça, ou um Geraldo Vandré, ao propor uma santa como padroeira do Exército. 

Mire e veja: louco talvez seja quem assim o diz — e não é feliz. Estamira jura de pés juntos que é melhor não ser um normal, normoticamente encaixotado na vidinha hipócrita e trivial do burguês com 90% de cifras na alma enferrujada. 

Pouco e malmente esquentou bancos de escola. Menos ainda leu Clarice Lispector, nem sabe quem ela foi — nem é afeita à leitura de livros, menos ainda tem rompantes de ser leitora ou poetisa. Contudo, uma poesia alucinada brota, em cascata, por sua boca sempre sorridente, a não ser quando fica brava com a humanidade, e dana a lançar faíscas, estalos de Vieira, em frases cortantes como navalha. 

Coerência em sua fala catártica e apoplética quase não há — mas perguntar não ofende, lógica e acessibilidade à mente cartesiana e superficial também não existe nas obras de James Joyce, de Clarice Lispector, de Guimarães Rosa, Sousândrade, e de certos poetas vanguardistas? 
Como no discurso viperino, lançado às escuta impossível da cidade vertiginosa, repleto de indignação e raiva, que proferiu no lixão, diante de cineastas que a filmavam: “Existe a lucidez e a ilucidez. A gente aprende alguma coisa de tanto lucidar”. 

Mais adiante, assumindo a postura de um Antonio Conselheiro de saias, pregando aos fanáticos insurrectos, antes do trágico e covarde assalto final aos casebres de Canudos: “Vocês não aprenderam nada na escola. Vocês só copiam hipocrisias e mentiras charlatais!”. 

Não bastando o peso da acusação, dirigida a toda a humanidade, e sem excluir a equipe de cineastas que filmava seu discurso apocalíptico: “Eu não sou como vocês, que são apenas robôs sanguíneos!”. 

Para Estamira, “Neste mundo de maldades não tem mais o inocente. O que tem, isto sim, por todo lado, é o esperto ao contrário”. 

Comovente de se ver é o prazer de Estamira no cozinhar para suas netas, que de vez em quando a visitam, em seu barraco, na favela. Ou a ternura e cuidado com que cuida de seus muitos cães e gatos. Tudo em seu casebre é limpo. 

Psiquiatras que lhe passam remédios para amenizar o que chamam de surtos de alucinação, tratam de Estamira como uma delirante, apenas. 
Não é de se espantar: Lima Barreto, Antonin Artaud, Cruz e Sousa, José Décio Filho, e outros gênios da literatura foram internados como doidos de pedra — sendo que este último escreveu suas melhores obras no hospício, entre uma e outra sessão de eletro-choque. 

Para não dizerem que não terminei esta crônica com os dizeres de Estamira, vão aqui mais umas faíscas de seu lucidar delirante: 
“Tempo eterno é tempo infinito, mas tem o além e o além do além. Nenhum cientista foi até o além, quanto menos no além do além. Para mim, tudo o que nasce é nativo, isto é, natal”. 

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Morre Estamira, personagem-título 
de premiado documentário brasileiro

Ela estava internada desde terça (26), no Hospital Miguel Couto, no Rio.

Estamira
 Estamira Gomes de Sousa, personagem-título do premiado documentário brasileiro "Estamira", morreu no início da noite desta quinta-feira (28), no Rio.

Segundo a Secretaria municipal de Saúde, Estamira, de 70 anos, estava internada no Hospital Miguel Couto, na Gávea, Zona Sul da cidade, desde a última terça-feira (26) e morreu com consequência de uma septicemia (infecção generalizada).

Marcos Prado, diretor do documentário, falou sobre o convívio com a catadora de lixo, que também era diabética, e que há mais de 20 anos trabalhava no aterro sanitário em Gramacho, localizado no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

"Foi fascinante. Ela era quase que uma profetisa dos dias atuais, uma pessoa muito legítima. Jamais montamos suas frases na edição. Todos os discursos incluídos no filme são contínuos. Ela acreditava ter a missão de trazer os princípios éticos básicos para as pessoas que viviam fora do lixo onde ela viveu por 22 anos. Para ela, o verdadeiro lixo são os valores falidos em que vive a sociedade", comentou Prado.

 Ernani, um dos três filhos deixados por Estamira, ainda não sabe exatamente qual será o destino do corpo da mãe. "Estamos querendo fazer o sepultamento no Cemitério do Caju, onde minha avó foi enterrada, mas ainda não tive muito tempo para resolver essas coisas. Por isso, não sei quando será o enterro".

Negligência

 Tanto Ernani quanto o diretor Marco Prado, que ajudou na internação da catadora, acusam o hospital de negligência. "Ela foi inadequadamente atendida. Ficou literalmente abandonada nos corredores do hospital sem nenhum tipo de atendimento, só com o filho como testemunha. E isso quando já existia o diagnóstico de infecção generalizada. A indignação é grande. E é triste saber que outras Estamiras vão morrer pelo mesmo descaso", destacou o cineasta.

 Procurada pelo G1, a Secretaria municipal de Saúde negou as acusações e afirmou que em momento algum a paciente foi acomodada em um dos corredores do hospital, onde, segundo a administração da unidade, é proibido internar pacientes.

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Documentário relata a história 
de uma senhora que cata lixo em Gramacho 

'Estamira' relata a vida de uma senhora tachada como louca pela família e médicos, porém de uma lucidez incrível. 
Este foi o primeiro documentário do fotógrafo Marcos Prado, vencedor de um total de 23 prêmios nacionais e internacionais. 
O cenário é no aterro sanitário do Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, Rio de Janeiro, onde são jogadas, por dia, mais de 8 mil t de lixo.


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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Poeira Estelar - Elenice Bastos

Da página "Hierophant"

Poeira Estelar 
Elenice Bastos


Nunca fui de muita religião. Respeito todas. Mas confesso que pouco pratiquei a religiosidade, propriamente, dita. 
Quando criança, acompanhava meus pais às missas mas, ficava um pouco perdida entre salmos, orações, etc. Frequentávamos a igreja católica e no catolicismo fui batizada. 
Acho que todos podem e devem procurar o seu caminho espiritual.  E devemos seguir aquele com o qual mais nos identificamos. 

Aos poucos, fui ainda mais me afastando do catolicismo e de qualquer outra religião. Porque para mim, ficava difícil entender por que um “Deus” amoroso e misericordioso castigava alguns e absolvia outros. 
Se Deus é amor, não deveria amar a todos da mesma maneira? Pode ser que cada um tenha a sua resposta. Eu, particularmente, acredito no Deus que habita em cada um de nós. Acredito que para conversar com Deus, devemos olhar para dentro de nós mesmos e procurar nos conhecer um pouco mais a fundo. Do que adiantaria o perdão de Deus se primeiro, não perdoarmos a nós mesmos? Precisamos nos livrar da culpa, do medo e acreditar que nossa essência é puro amor. O mal é a ausência do bem. 
O caminho é longo mas um dia, todos teremos consciência de que fomos feitos para o bem, para a união e a felicidade.

Eu acredito que exista uma “Inteligência Divina”. E que essa Inteligência é responsável pelo perfeito funcionamento de tudo o que possa existir no Universo. 
Acredito que a raça humana tenha sido criada para a felicidade mas, infelizmente, nós humanos fazemos questão de complicar o que poderia ser tão simples. 
Quando penso em Deus, logo de imediato, me vem à mente a maravilhosa “Mãe Natureza”. 
Pode haver beleza maior do que um por de sol? O colorido de um jardim florido, o mar com suas marés altas e baixas, a imponência das montanhas? Toda beleza de um céu completamente aceso à noite...Pode haver coisa mais bela? 
Eu costumo comparar o Universo com um enorme “Quebra Cabeças”, onde aos poucos, as pecinhas vão se encaixando dentro de um determinado tempo. Quando não conseguimos encaixar todas as peças, voltamos e repetimos tudo de novo. Podemos mudar as cores, os formatos, os tamanhos e a temática do jogo mas, o objetivo será o mesmo. Deveremos completar o grande “Quebra Cabeças” de nossas vidas.

Mas infelizmente, a nossa estada nesse paraíso terrestre dura pouco. 
Quando olhamos para trás, nos damos conta de que foram-se os anos os planos, os sonhos...Devemos, portanto, viver intensamente cada momento, cada oportunidade, porque são únicos. 
Por que não viver a vida com mais leveza, mais beleza mais pureza na alma? 
Poderíamos, para começar, amar mais, perdoar mais, cantar, pular, dançar...Sentir os primeiros raios de sol da manhã aquecendo a pele e agradecer por tudo isso.

Ao longo de nossa existência conhecemos tanta gente. Às vezes, temos a sorte de encontrar pelo nosso caminho, pessoas sábias e inteligentes. 
Sim, todo sábio, letrado ou não, é inteligente. Mas nem todo inteligente é sábio. 
Aquele que é somente inteligente, pode usar de sua inteligência para a prática do mal. Já o sábio aprende e ensina com o coração, com a alma. É aí, que mora a “Sabedoria”. 

Há pessoas tão lindas que passam pela nossa vida... Pessoas sábias, inteligentes, iluminadas.
Essas pessoas nos fazem enxergar a vida com outros olhos. Nos fazem sorrir, nos libertam de conceitos e preconceitos ultrapassados que não nos servem pra nada, nos abrem a mente. 
Sim, é preciso expandir o pensamento, o conhecimento.  Nos fazem acreditar que tudo é   possível, e que atrás do arco-íris, a vida é sempre colorida. 
A permanência desses seres em nossa vida nem sempre é duradoura. 
Muitas vezes, não se demoram muito. Eles nos encontram, nos ensinam a lição e partem, sem aviso, sem adeus e sem promessas. E deixam tanta saudade...  
Alguns partem para outras cidades ou países. Outros, voltam para casa, para a morada eterna, o grande “Cosmos” e viram pó de estrela. 

Mas mesmo, assim, mesmo tendo partido para outra dimensão, essas lindas e encantadoras pessoas, continuam nos ensinando a apreciar o belo, pois nos obrigam, todas as noites, a olhar para o Céu. 
E, se observarmos com atenção, logo, logo, poderemos percebê-las, na beleza da constelação com o seu inconfundível brilho a nos dar longas piscadelas de puro amor e energia.


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domingo, 31 de julho de 2016

Elis Regina e Milton Nascimento - preciosidade


Postagem da amiga Tel Mont.



Pout-pourri: Golden Slumbers/ Carry That Weight/ The End

Once there was a way
To get back home
Once there was a way
To get back home
Sleep pretty darlin' do not cry
And I will sing a lullaby

Golden slumbers fill your eyes
Smiles to greet you when you rise
Sleep pretty darlin' do not cry
And I will sing a lullaby

Once there was a way
To get back home
Once there was a way
To get back home
Sleep pretty darlin' do not cry
And I will sing a lullaby

Hey boy, you got to carry that weight
Carry that weight a long time
Boy, you got to carry that weight
Carry that weight a long time

I never give you my pillow
I only send you my invitation
And in the middle of the celebration
I pray now

Hey boy, you got to carry that weight
Carry that weight a long time
Boy, you got to carry that weight
Carry that weight a long time

Oh yeah.
Alright.
Are you gonna be in my dreams
Tonight.

Love you. Love you. Love you. Love you.
Love you. Love you. Love you. Love you.

And in the end,
The love we take
Is equal to the love we make

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terça-feira, 12 de julho de 2016

Clarice (da Telma)

Da amiga Tel Mont, na perda de Clarice, sua amiguinha de quatro patas 

"Essa dor, preciso desnudar-me dela, a dor de vê-la partir. Para o Indefinido.
Clarice, Clarice, há quanto tempo nos tivemos, mas agora treze anos parecem tão pouco diante da ausência dos latidos e lambeijos em festa pelo simples fato de eu ter acordado, de eu ter voltado de algum lugar (do trabalho distante ou dali da esquina...). 
Esse absurdo sentimento que não há jeito de nós, humanos, aprendermos. Esse dom de fazer o Outro saber que é amado, dentro do agora, que é querido, de uma forma incansável, transparente, sem adiamento e sem pudor. 
Felizardos são os cães, independentes do cabresto das palavras; felizardos são, que só entendem de sons e olhares profundos, de odores e olores, o cheiro do "dono" e da comida preferida.
Clarice se foi.
Clarice que gostava de dormir ao sol da manhã, perto do portão. Que fechava os olhos e oferecia a carinha ao vento ou ao chuvisco, tão puro 'carpe diem'. Que recriminava, com latidos enérgicos, relâmpagos e trovões. Que sempre ignorou sua graciosa pequenez diante do mundo. 
Baixinha Clarice, atrevida Clarice. Ora pinotes, ora passinhos delicados.
"Cadê o meu bebê?" Está aqui, aqui dentro, passeando calmamente à brisa do meu amor. Olha, Clarice, um feixe de sol...! Durma, querida, durma. Não há mais dor, não há mais sofrer. 
Hoje a tão pequena sou eu, devastada pela saudade diante da "sua" cadeira... vazia.

Até um dia, até de repente... Quando também eu atravessar para a "terceira margem do rio" - esse mistério, reconhecerás minha voz quando eu novamente chamar o teu nome? "
(TelMont)



Clarice (da Telma)

Operação Verniz no Rio - Jogos Olímpicos

Rio de Janeiro começa a passar por processo 
de embelezamento para os Jogos

MARCEL MERGUIZO e PAULO ROBERTO CONDE - Jornal Folha de S.Paulo
ENVIADOS ESPECIAIS AO RIO - 12/07/2016  02h00


A menos de um mês do início dos Jogos Olímpicos, a Prefeitura do Rio começou o "envelopamento" da cidade.

Por "envelopar" entende-se um processo de embelezamento, pelo qual passa a instalação de adesivos, bandeiras e painéis que custaram aos cofres públicos R$ 750 mil, segundo a Secretaria de Turismo do município.

Rio de Janeiro RJ,BRASIL, 11/07/2016 ; Placas com decoração olímpica fora colocadas em muro que separa o complexo da Maré da principal via em que turistas irão chegar ao Rio de Janeiro. (Foto: Ricardo Borges/Folhapress. ) *** EXCLUSIVO FOLHA***

Um dos locais enfeitados no fim de semana foi a Linha Vermelha, via expressa de acesso ao Aeroporto Internacional do Galeão, onde desembarcarão turistas e atletas que competirão nos Jogos, cujo início é 5 de agosto.

"Essa 'adesivagem' no painel acústico ali da Linha Vermelha dá um movimento. Não é para esconder a favela, nunca foi. É para decorar e botar a cidade no clima olímpico", diz à Folha o secretário de turismo Antonio Pedro.

Segundo ele, a instalação dos adesivos nos painéis que ficam, por exemplo, em frente ao Complexo da Maré, custou R$ 200 mil ao município.

Os painéis, que começaram a ser erguidos em 2010, têm 3 metros de altura e ocupam um trecho de cerca de 7 km, muitos deles já pintados anteriormente.

A Prefeitura é responsável pelo "look" da cidade, enquanto o comitê organizador da Rio-2016 cuida do visual dos Jogos, ou seja, dentro das arenas de competição. Ambos seguem o mesmo padrão gráfico e estético.

Outros pontos da cidade já receberam ou ainda vão receber esta maquiagem olímpica, como a avenida Brasil, o túnel Engenheiro Coelho Cintra (conhecido como Túnel Novo), a orla da zona sul, Aterro do Flamengo etc.

Rio de Janeiro RJ,BRASIL, 11/07/2016 ; Placas com decoração olímpica fora colocadas em muro que separa o complexo da Maré da principal via em que turistas irão chegar ao Rio de Janeiro. (Foto: Ricardo Borges/Folhapress. ) *** EXCLUSIVO FOLHA***

sábado, 2 de julho de 2016

Sonho de consumo

Após essa sequência, que mais se pode desejar?








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quinta-feira, 30 de junho de 2016

Um texto verdadeiro de uma mãe de verdade - A jurupoca vai piar


Da página "Humor de mãe" - facebook

Claudia Gomes - Humor de Mãe
29 de junho 2016, ás 13:19 ·


Hoje a Jurupoca vai piar

Algumas amigas já me perguntaram, tímidas, se de vez em quando eu perco a cabeça com meus filhos. Se dou uns gritos, seguro com mais força, se fico bem loucona. 
Veja, eu era do tipo que via crianças se jogando no chão num ataque histérico e torcia o nariz. Ja-ma-is um troço daquele aconteceria comigo. Coisa de gente que não sabia dar educação. Eu não. Eu seria aquele tipo de mãe que bastaria um olhar, para ser prontamente obedecida. Aham. 

Medalha de ouro em cuspida pro alto. Meus filhos são até educados, nem posso reclamar. Mas são crianças. Já se jogaram muito no chão. Porque criança às vezes acorda e pensa: que lindo dia pra fornicar com o juízo da minha mãe. E há também os dias em que o nosso juízo se auto-fornica sozinho. Seja por cansaço, estresse ou a lista com setenta e duas coisas para fazer antes do meio-dia. Ou tudo isso junto. Em momentos assim, minha querida, eu grito. Grito, sim. E estou vivendo.

Antes que você, futura amiga-mãe-caminhoneira, torça o nariz, saiba que sou fã do papo reto, gasto saliva à beça com eles. E funciona lindamente. 
Mas tem horas que eles estão virados na jyraia. Loucos, cegos e surdos. Se não der um 360 na baiana, eles nem ouvem. 
Também aplico punições. Tomando cuidado para escolher castigos que sejam pra eles, não pra mim. Um mês sem aquele brinquedo que pisca convulsivamente e toca música japonesa fanha é a glória. Uma semana sem televisão pode causar danos terríveis, como prisão de ventre materna ou impossibilidade total de atender um telefonema. 
E, em dias que estou mais morta que galinha de oferenda, também apelo para técnicas de educação pouco ortodoxas. Como a chantagem, o suborno, ou a ameaça leve ("se não falar comigo direito, vou fazer minha dancinha maluca na porta da escola"). Não recomendo para o dia a dia, porque causam perda irreversível de moral. Mas não matam, se aplicadas em horas de extrema necessidade. De preferência quando não tem ninguém olhando.

Agora, quando nada disso funciona, lanço mão da minha arma secreta: a ameaça barra pesada. Estamos falando do momento onde todos os recursos foram esgotados. O último estágio na cadeia alimentar das broncas e esporros. O limite. 
Quando chego nesse ponto, não grito mais. Ao contrário, falo baixinho. E é aí que eles sentem que ferrou. Me inclino, para olhar bem dentro dos olhos e sentir o arrepio percorrendo suas coluninhas. Com dentes trincados, a boca mal abrindo, me limito a dizer: “Se não me obeceder a-go-ra, a jurupoca vai piar”. 
Não lembro quando foi a primeira vez que disse isso. Nem sei o que seria uma jurupoca. Tampouco o que acontece, de fato, quando ela pia. (Tá, acabei de ver no Google, é um peixe!) O caso é: funciona. Porque eles, movidos pelo instinto do cagaço absoluto, sabem que acabou a palhaçada. 
Para minha sorte, nenhum dos dois nunca quis saber o que eu faria, caso tivesse que cumprir a ameaça. Possivelmente, sentar, chorar e chamar minha mamãe.
Resumindo, podem tirar mais essa culpa da sua lista, minhas queridas. 

A mestre yogue, aquela amiga chiquérrima, a psicóloga, a professora de catequismo, todas nós exageramos nos graves e agudos vez ou outra. Desconfio que até Nossa Senhora, com todo respeito, já deve ter dado uns berros com o menino Jesus, pelo menos uma vez.
E isso não faz de nós mães ruins. Me arrisco a dizer que ao contrário. 
Se você não é uma doida, que grita todos os dias, espanca ou joga filhos pela janela, saiba que perder a cabeça de vez em quando, com ou sem motivo, pode até ter o seu valor. Serve pra eles aprenderem que não somos heroínas de histórias em quadrinhos. Somos humanas, como eles. Com momentos de paciência e sabedoria, mas também de dúvidas, exaustão e vontade de sair correndo pelada pela rua. (Não? Só eu?)

E, não se esqueça, se estamos brigando, falando mais-de-mil-vezes-a-mesma-coisa, é sinal de que estamos ali. Com eles. Lutando pra que sejam minimamente civilizados. E isso não é pouco, nesse nosso mundão tão corrido de meu Deus. De onde se conclui, amigas, que Jurupoca também é amor.
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segunda-feira, 6 de junho de 2016

Retrato



RETRATO
Quinita Ribeiro Sampaio - poetisa contemporânea (Campinas-SP, 1926)

Fui íntima um dia
mas como me distanciei
da menina do retrato.
Já habitei sua pele
mas dela nada mais sei
não conheço
a menina do retrato.
Como seria a sua voz
e o som do riso
e o seu choro?
Em vão busco em seu olhar
um vestígio, algum resto.
Um mistério opaco encerra
a menina no retrato.
Em que dia se rompeu
o elo que nos prendia?
Em que dia ela morreu?
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Quando o caminho a ser trilhado no mundo desenhava-se ainda distante, assustador, impossível ou quase de ser recomposto aos olhos de hoje 

‘Outros tempos’, é o que me dizem sempre os da minha geração. A vida, o mundo, o país  eram diferentes.  
Eu também era outra? Não sei dizer; trata-se de um resgate de imagem apenas casual – arrumação nos armários – trazendo, sim, lembranças boas, outras nem tanto mas que ainda norteiam um pouco o espanto pelas incertezas atuais.

É só uma fotografia. E ainda o retoque, feito à mão pelo fotógrafo-artista, ressaltando cores.e  tons.

Hoje, não se precisa de determinado tempo nem da escuridão do ambiente para se revelar.

Os dias que correm seriam inadmissíveis para quem olhava a vida com imensa curiosidade e imaginara um futuro onde tudo estaria definido.
Nunca esteve, nunca está, nunca  estará. 

Sueli,
Resende, final do outono  2016

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sexta-feira, 3 de junho de 2016

Awa Ly : Wide Open



Assistindo ao programa "Lá", de Orlando Morais, no Canal Livre, encontrei essa cantora e atriz senegalesa e gostei muito.  Atualmente, ela vive na Itália.

Gostei também da música.