Nem sempre o que está pronto; o que não combina, o que não se quer mostrar. Há o avesso. Ah, o avesso...
terça-feira, 3 de maio de 2016
sábado, 30 de abril de 2016
ADÍLIA LOPES
em rabo de cavalo
agora a minha solidão
vê-se melhor
vê-se tão bem
como a minha face
E a minha face
é desassombrada
as sombras
não são minhas.
**
Adília Lopes - poetisa, cronista e tradutora portuguesa contemporânea
quarta-feira, 27 de abril de 2016
A vida é curta... André J.Gomes
A vida é muito curta pra alongar debate inútil.
André J. Gomes - 19 abr, 2016
Larguemos mão, minha gente. Pra que essa briga toda? Tanta contenda, peleja, quiproquó. Por que todo esse bate-boca? De que vale tanto argumento jogado fora? Pra que servem mesmo nossos raciocínios e reflexões a esta hora? Tem um tempo em que bom é deixar pra lá. Se não faz bem, mal também não vai fazer. Deixemos estar. Se não tem jeito, rejeite.Pense bem. Vencer a discussão, destroçar o adversário, arrancar-lhe as vísceras e jogar para o cachorro vai mesmo dar jeito no mundo? Você e eu aqui, entrincheirados, guerreando por razão, defendendo cada qual seu soberano ponto de vista, e os canalhas lá fora decidindo por nós. Vivendo nossa vida enquanto nos odiamos de morte. Não está certo, não.
O que há de se fazer será feito na prática. Por nós ou por alguém. No duro, para além do bate-boca estéril e enfezado que nos leva a nada e nos rouba o tempo. Esse tempo que é tão raro, tão pouco. Tempo em que podíamos pensar novas saídas, outras possibilidades. Juntos, somados, unidos, multiplicando vontades, dividindo tarefas. Fazendo acontecer. Não assim, um contra o outro, inflamados, enfraquecidos. Cegos dessa sanha inútil de mudar a opinião alheia.
A gente devia passar mais tempo sozinhos, sabe? Assim, uma hora e outra, trancar nossas coisas aqui dentro e pensar no sentido de tanta falação jogada fora. De tanto ganhar razão a qualquer custo, o fato é que a gente acaba perdendo o afeto. De tanto alongar pendenga inútil, a gente faz a vida mais curta do que ela já é. Tudo por uma verdade ilusória e boboca. Depois a gente se encontra, resolve o que se pode resolver e esquece o resto. Por ora, chega de peleja inútil.
Se é para investir no que nada vale, que seja a conversa amiga sem utilidade definida, os inofensivos papos furados, a prosa à toa, as horas inocentes de fazer nada, os diálogos sem pretensão, em que ninguém precisa convencer ninguém de nada e cada lado passa a bola ao outro com cuidado, jogando pela vitória comum, a beleza do movimento, a saúde do corpo e da alma.
Como no frescobol jogado em dia de praia e sol, céu aberto, gente passando pra lá e pra cá, gente de todos os tipos e cores, credos e origens caminhando sem medo, os pés na água e os olhos à frente, um jogador rebate a bola e a devolve delicada à raquete do colega. O outro acompanha e a retorna com capricho, empenhado no acerto. E os dois se deixam estar ali, artesãos inocentes e aplicados, passando a bola de um lado a outro, como quem costura com linha invisível uma rede de segurança que haverá de salvar o mundo em sua queda. Dois soldados gentis, cavalheiros seguros, avançando sua conversa pela noite e pela vida em total camaradagem dialogal.
Quem sabe sejamos assim? Quem sabe possamos tentar? Eu digo “vem, pessoa amiga, entra que o feijão tá no fogo”. Você traz um vinho barato e nós bebemos com arroz, feijão e ovo, falando da vida sem medo, sem culpa. Sem pretender razão nenhuma. Alongando essa vida tão curta com esperança e jeito. Quem sabe um dia. Quem sabe.
* * *
terça-feira, 26 de abril de 2016
Pensando o momento político...
Da página 'Vida em Equilíbrio'
THIAGO CASTILHO - Advogado e escritor.
(..)
A política do país não é vida pessoal de ninguém, portanto está sujeita a deliberação coletiva.
No popular: cada cabeça é uma sentença e só existe uma forma de coexistirmos cordialmente, tratando uns aos outros com EDUCAÇÃO E RESPEITO.
Minha vida pessoal não é da sua conta, mas a vida política do Brasil é da nossa conta e se eu penso que estou certo e você pensa que está certo e nós dois somos pessoas inteligentes, éticas e sérias, quem está certo? Quem julgará?
Tudo na política é uma questão de negociação e nossa negociação chama-se democracia. Por enquanto é a melhor via para a cidadania, o bem comum, a ordem jurídica e a paz pública.
Destarte, não há outro caminho que não seja A DEMOCRACIA, O DIÁLOGO E A DIPLOMACIA. Você não irá impor seus interesses a mim e nem eu a você.
Teremos que chegar a um denominador comum sobre os direitos negociáveis (públicos, é claro). O nome disso é eleição.
Agora, considerando a qualidade intelectual e moral de nossos representantes políticos, como dizia Drummond “Chegou um tempo em que não adianta morrer” e segundo Manuel Bandeira “Nascer de novo também não adianta.”.
Qual é a solução? A boa e velha ética, o bom-senso e a solidariedade que nunca tivemos.
Mas sempre é tempo de mudar, melhorar e recomeçar dessa vez com mais inteligência, responsabilidade e por que não um pouco de bondade? Podemos? “Mas você tentou?” Dostoievski.
É imprescindível cultivarmos o respeito às diferenças e transigir sempre.
Afinal, “Deixa de ser nobre o que não é maleável.” Drummond.
Quer me convencer? Aperfeiçoe seus argumentos. Não os tem? Cale-se.
E nunca se esqueça da partícula elementar da Constituição (nossa lei suprema): O PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA.
**
THIAGO CASTILHO - Advogado e escritor.
A política do país não é vida pessoal de ninguém, portanto está sujeita a deliberação coletiva.
No popular: cada cabeça é uma sentença e só existe uma forma de coexistirmos cordialmente, tratando uns aos outros com EDUCAÇÃO E RESPEITO.
Minha vida pessoal não é da sua conta, mas a vida política do Brasil é da nossa conta e se eu penso que estou certo e você pensa que está certo e nós dois somos pessoas inteligentes, éticas e sérias, quem está certo? Quem julgará?
Tudo na política é uma questão de negociação e nossa negociação chama-se democracia. Por enquanto é a melhor via para a cidadania, o bem comum, a ordem jurídica e a paz pública.
Destarte, não há outro caminho que não seja A DEMOCRACIA, O DIÁLOGO E A DIPLOMACIA. Você não irá impor seus interesses a mim e nem eu a você.
Teremos que chegar a um denominador comum sobre os direitos negociáveis (públicos, é claro). O nome disso é eleição.
Agora, considerando a qualidade intelectual e moral de nossos representantes políticos, como dizia Drummond “Chegou um tempo em que não adianta morrer” e segundo Manuel Bandeira “Nascer de novo também não adianta.”.
Qual é a solução? A boa e velha ética, o bom-senso e a solidariedade que nunca tivemos.
Mas sempre é tempo de mudar, melhorar e recomeçar dessa vez com mais inteligência, responsabilidade e por que não um pouco de bondade? Podemos? “Mas você tentou?” Dostoievski.
É imprescindível cultivarmos o respeito às diferenças e transigir sempre.
Afinal, “Deixa de ser nobre o que não é maleável.” Drummond.
Quer me convencer? Aperfeiçoe seus argumentos. Não os tem? Cale-se.
E nunca se esqueça da partícula elementar da Constituição (nossa lei suprema): O PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA.
* * *
Resumindo: cuida da sua vida que eu cuido da minha e ambos cuidamos da nossa vida política brasileira.**
sexta-feira, 22 de abril de 2016
Estranhas sensações
Não sei por que, estou com uma estranha sensação de palhaçada no ar... (mais uma).
O que os 'doutores políticos' e demais 'autoridades' estão fazendo com a população neste momento creio não haver precedentes 'neste país'.
Um joguinho sujo de vai não vai. Longe de parecer uma boa partida de xadrez (olha a esnobe aí) está mais para jogo de azar, com toda a carga negativa que esta palavra (azar) possa conter.
As estratégias de enganar, blefar, fazer o adversário suar de ansiedade são técnicas amplamente utilizadas também naquele outro joguinho popularíssimo: 'Truco!'
Vem, então, aquela sensação da vitória, para rcomeçar a disputa mais uma vez.
Como já disse inúmeras vezes, entendo pouco ou nada dessa mixórdia toda a que dão o nome de política, mas o sentimento de ser enganada, de fazer papel de trouxa persiste.
Lembro-me bem da votação no comediante Tiririca. Na época, eu, acusada de elitista, de esnobe e de ter 'preconceito intelectual' - não sei bem o que é isto - enfim, assim me consideram e eu até aceito, viu? Ainda que não concorde inteiramente.... O que eu disse foi que, pelo menos, se ele nada fizesse já estaria ajudando. E que o país elegia os que melhor combinavam com a nossa cara. Nossa!, o mundo quase caiu na minha cabeça.
Após o vexame da tal votação no Plenário da Câmara, li em algum lugar um conceito bem parecido com o que eu havia exposto.
O que ficou daquela vergonhosa votação (17 abril 2016), mesmo que o resultado tenha sido favorável aos anseios e necessidades da maioria na qual me incluo, é a certeza de que em razão do nível dos parlamentares, na Câmara dos Deputados tem muito mais palhaços do que imaginávamos.
Enfim, vou continuar estudando, lendo e quem sabe assim eu me garanta... (rsrsrs)
* * *
quarta-feira, 20 de abril de 2016
"Gravíssimo equívoco" -
Dilma comete ‘gravíssimo equívoco’
ao chamar impeachment de golpe, diz ministro Celso de Mello
Abril 20, 2016
A presidente Dilma Rousseff recebeu críticas dos ministros do Supremo Tribunal Federal- STF nesta quarta-feira(20) por usar a viagem que fará aos Estados Unidos esta semana para defender que o processo de impeachment em curso é um golpe contra a democracia.
“Ainda que a senhora presidente da República veja, a partir de uma perspectiva eminentemente pessoal, a existência de um golpe, na verdade, há um grande e gravíssimo equívoco, porque o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal deixaram muito claro que o procedimento destinado a apurar a responsabilidade política da presidente da República respeitou, até o presente momento, todas as fórmulas estabelecidas na Constituição”, defendeu.
O decano observa que Dilma tem o direito de viajar para o exterior mesmo após a Câmara decidir aceitar o pedido de impeachment porque ela ainda não foi afastada das suas funções na Presidência. Ele, no entanto, voltou a criticar o tom do discurso que poderá ser adotado pela petista.
“Eu diria que é no mínimo estranho esse comportamento ainda que a presidente possa, em sua defesa, alegar aquilo que lhe aprouver. A questão é saber se ela tem razão“, disse.
Um dos maiores críticos ao governo no STF, o ministro Gilmar Mendes também ironizou a possibilidade de Dilma fazer um discurso em Nova York nesse sentido.
“Eu não sou assessor da presidente e não posso aconselhá-la, mas todos nós que temos acompanhado esse complexo procedimento no Brasil podemos avaliar que se trata de procedimentos absolutamente normais, dentro do quadro de institucionalidade“, disse.
Os dois ministros, porém, evitaram comentar sobre a situação do maior algoz de Dilma, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), responsável por conduzir o processo na Casa.
Celso de Mello defendeu que o Supremo não está demorando para julgar o pedido, feito em dezembro pela Procuradoria-Geral da República, de afastamento do presidente da Câmara do cargo. “Não há atraso, há estrita observância ao que estabelece a lei”, disse.
Os dois ministros, no entanto, admitiram que o STF poderá discutir se Cunha poderá ou não assumir a Presidência, em caso de impeachment de Dilma, já que ele será o segundo na linha sucessória após o vice-presidente, Michel Temer.
O peemedebista já é réu num processo do Supremo e há um artigo na Constituição que impede alguém denunciado de ocupar o cargo.
**
Informações: "Isto É"
Da página 'mudancadeparadigmas.com'
* * *
JOSIAS DE SOUZA - ...nas trevas do quarto de hotel...
A raiz do mal...
Ao adiar o julgamento sobre a legalidade da nomeação de Lula para a chefia da Casa Civil, o Supremo Tribunal Federal adicionou humilhação ao drama do cacique do PT.
Na prática, Lula foi, por assim dizer, aprisionado na condição de ministro-chefe do quarto de hotel. Permanecerá como articulador das trevas por tempo indeterminado.
Dilma estava esperançosa de ter o criador, finalmente, despachando no gabinete do andar de cima. Mas, por mal dos pecados, o STF sinalizou que a esperança às vezes é a última que mata.
Enviado à UTI pelo voto dos 367 deputados que deflagraram o processo de impeachment, o governo pode morrer antes que Lula tenha a oportunidade de assumir a Casa Civil.
Num dos grampos telefônicos que o juiz Sérgio Moro jogou no ventilador do PT, Lula disse para Dilma: “Nós temos uma Suprema Corte totalmente acovardada, nós temos um Superior Tribunal de Justiça totalmente acovardado, um Parlamento totalmente acovardado. […] Nós temos um presidente da Câmara fodido, um presidente do Senado fodido. Não sei quantos parlamentares ameaçados. E fica todo mundo no compasso de que vai acontecer um milagre e vai todo mundo se salvar. Sinceramente, eu tô assustado com a República de Curitiba.”
Hoje, a covardia do Supremo estica o calvário, o Parlamento acovardado administra o funeral, o fodido presidente da Câmara toca a marcha fúnebre, o comandante fodido do Senado cava a sepultura e “os parlamentares ameaçados” na Lava Jato levam as mãos à última pá de cal.
Se quisesse, Lula poderia abandonar facilmente a condição de articulador aprisionado. Bastaria que renunciasse ao cargo que a liminar do ministro Gilmar Mendes o impediu de assumir.
Nessa hipótese, porém, ele voltaria a ficar ao alcance da caneta do doutor Moro.
Talvez prefira ficar preso no escurinho dos fundões do hotel brasiliense a ter de enfrentar os rigores da República de Curitiba.
STF mantém Lula nas trevas do quarto de hotel
Josias de Souza - 20/04/2016, 16:05 – Blog do Josias
Ao adiar o julgamento sobre a legalidade da nomeação de Lula para a chefia da Casa Civil, o Supremo Tribunal Federal adicionou humilhação ao drama do cacique do PT.
Na prática, Lula foi, por assim dizer, aprisionado na condição de ministro-chefe do quarto de hotel. Permanecerá como articulador das trevas por tempo indeterminado.
Dilma estava esperançosa de ter o criador, finalmente, despachando no gabinete do andar de cima. Mas, por mal dos pecados, o STF sinalizou que a esperança às vezes é a última que mata.
Enviado à UTI pelo voto dos 367 deputados que deflagraram o processo de impeachment, o governo pode morrer antes que Lula tenha a oportunidade de assumir a Casa Civil.
Num dos grampos telefônicos que o juiz Sérgio Moro jogou no ventilador do PT, Lula disse para Dilma: “Nós temos uma Suprema Corte totalmente acovardada, nós temos um Superior Tribunal de Justiça totalmente acovardado, um Parlamento totalmente acovardado. […] Nós temos um presidente da Câmara fodido, um presidente do Senado fodido. Não sei quantos parlamentares ameaçados. E fica todo mundo no compasso de que vai acontecer um milagre e vai todo mundo se salvar. Sinceramente, eu tô assustado com a República de Curitiba.”
Hoje, a covardia do Supremo estica o calvário, o Parlamento acovardado administra o funeral, o fodido presidente da Câmara toca a marcha fúnebre, o comandante fodido do Senado cava a sepultura e “os parlamentares ameaçados” na Lava Jato levam as mãos à última pá de cal.
Se quisesse, Lula poderia abandonar facilmente a condição de articulador aprisionado. Bastaria que renunciasse ao cargo que a liminar do ministro Gilmar Mendes o impediu de assumir.
Nessa hipótese, porém, ele voltaria a ficar ao alcance da caneta do doutor Moro.
Talvez prefira ficar preso no escurinho dos fundões do hotel brasiliense a ter de enfrentar os rigores da República de Curitiba.
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ZUENIR VENTURA - Um retrato falado
Um retrato falado
Zuenir Ventura - O Globo, 20/04/2016 - 15h06

A falta de educação formal do país já foi encarnada pelos jogadores de futebol de outros tempos, que antes ou depois de uma partida tropeçavam na gramática para agradecer a Deus, à mulher, à mãe ou aos filhos, mais ou menos como aconteceu no julgamento do impeachment da presidente Dilma.
A diferença é que agora não era apenas uma questão de forma, mas igualmente de conteúdo.
Não agrediram apenas a língua, mas também os bons modos, a civilidade e a ética.
Houve até quem citasse como exemplo moral o marido, prefeito de Montes Claros — que, no dia seguinte, estaria sendo preso por corrupção, estelionato e falsidade ideológica.
Entre as contradições de domingo houve uma nada folclórica nem engraçada; ao contrário, chocante: a homenagem que o deputado Jair Bolsonaro prestou à memória do coronel Brilhante Ustra, o primeiro agente da ditadura militar a ser reconhecido como torturador pela Justiça brasileira.
Apesar da apologia a um crime hediondo, como a tortura é considerada oficialmente, o autor, em vez de ser advertido, foi aplaudido por muitos de seus pares.
A única hostilidade que sofreu foi uma cusparada do seu colega Jean Wyllys, chamado de viado por esse notório homofóbico, líder do obscurantismo no Congresso.
Tudo muito natural numa casa em que seu presidente foi qualificado, diante das câmeras de TV, de “corrupto”, “gangster” e “ladrão”, entre outros xingamentos menores.
No lugar dessas classificações, porém, talvez tivesse sido melhor para os telespectadores saber objetivamente que quem comandava o processo de impedimento da presidente da República por crime de responsabilidade é réu no Supremo Tribunal Federal e está sendo processado no Conselho de Ética da própria Câmara por ter mentido sobre suas milionárias contas não declaradas no exterior.
Por incrível que pareça, há peemedebistas trabalhando para que, como gratidão ao empenho dele em conseguir votos pró- impeachment, haja um acordo para anistiá- lo, livrando-o da cassação.
O Brasil está sendo passado a limpo, mas isso de fato só acontecerá inteiramente quando Eduardo Cunha, o hábil manobrista, o minucioso conhecedor dos desvãos da Câmara, o imperturbável, o “gênio do mal” for punido por ser também o mais notório ficha-suja do país.
* * *
terça-feira, 19 de abril de 2016
Sem alegria, sem esperança
Assino esse texto de MATHEUS DALPIZZOL
como se eu o tivesse escrito:
(...)Acompanhei a votação do processo de impeachment na integra, ouvindo todos os deputados.
Durante a votação, não foram felicidade e esperança que foram tomando conta de mim, mas vergonha.
Vergonha em confirmar o que há muito suspeitava: as vidas de mais de 200 milhões de brasileiros encontram-se nas mãos de meio milhar de pessoas desprovidas de qualquer noção do ridículo, do regimento parlamentar e de bom senso.
Praticamente a totalidade dos votantes demonstrou absolutamente não ter ciência daquilo que se passava e que estavam postos a julgar.
Triste, ainda mais, foi ver que tamanha irresponsabilidade e desorientação refletiu-se na população.
Era ínfimo, tanto na Câmara dos Deputados, quanto nas manifestações pró e contra o governo, o número de pessoas que estavam cientes de que tudo que se estava votando ali era a admissão do processo de impeachment, sem qualquer juízo de culpabilidade ou garantia de concretização do mesmo.
Em uma nação civilizada, dois discursos seriam predominantes no palanque:
1. “Ao julgar as evidências apresentadas durantes as 11 reuniões e mais de 50 horas de discussão, parece-me haver a necessidade da presidente ser submetida a julgamento, considerando que pode ter cometido crime de responsabilidade. Meu voto é sim.”
2. “Ao julgar as evidências apresentadas durantes as 11 reuniões e mais de 50 horas de discussão, parece-me não haver a necessidade da presidente ser submetida a julgamento, considerando que não há evidências de crime de responsabilidade. Meu voto é não.”
Infelizmente, o que se seguiu na selva brasilis ficou muito aquém de qualquer expectativa de civilidade.
Os deputados de todas as vertentes conseguiram fazer aqueles que ainda tem interesse por uma república sentir vergonha alheia e perguntar-se até mesmo se o anarquismo não seria uma solução melhor a sustentar 513 parlamentares desprovidos de vergonha na cara.
O plenário foi transformado em uma versão institucionalizada do programa da Xuxa: “Um beijo pro pai, pra mãe e especialmente pra você.”
Mas o nível cairia.
Cada um dos deputados julgando-se o arauto da representatividade popular, o único Verdadeiro defensor da Democracia (com V e D maiúsculos), um por um, fizeram a inteligência ser varrida para fora da casa. Desconsiderando por completo a sua função, fizeram do púlpito um palanque para panfletagem de ideias pútridas.
(...)
Saindo dos extremos, não há muito o que salvar também.
A Câmara estava dividida em jumentos de direita, asnos de esquerda e mulas oportunistas.
Discursos b***** (não há outra palavra) e nenhuma informação de relevância: “bla bla bla bla, meus eleitores, bla bla bla, minha cidade natal” e nada sobre o processo de impeachment.
Por fim, apesar do resultado positivo, o sentimento que se instaurou profundamente em mim foi o de completo desrespeito dos congressistas pelos seus eleitores.
Mais de 500 insultos às inteligências dos cidadãos e nenhum motivo para acreditar que depois de Dilma, apenas Cunha e Temer devam ser afastados: a Câmara dos Deputados inteira deve ser substituída. O nível está baixo demais e está na hora de o Brasil abandonar os pelegos idealistas, saudosos das ditaduras - tanto de esquerda quanto de direita -, ater-se aos procedimentos legais, abandonar as demagogias e olhar para o futuro.
É claro que abro margem, aqui, para ser acusado de “isentão”, ou de ser tão ideólogo quanto aqueles que critico, por almejar uma Câmara dos Deputados idealizada e “utópica”.
...simplesmente deixo aqui um apelo para as próximas eleições: façamos o nível dos que nos representam condizer com os nossos níveis intelectuais.”
**
MATHEUS DALPIZZOL – Jornal da Cidade
Sueli Madeira.
Se Bastasse Uma Canção - Selma Reis
Poema de Charlie Chaplin, escrito no seu 70º aniversário,
em 16 de abril de 1959:
Quando comecei a amar-me
Eu entendi que em qualquer momento da vida, estou sempre
no lugar certo na hora certa.
Compreendi que tudo o que acontece está correto.
Desde então, eu fiquei mais calmo.
Hoje eu sei que isso se chama CONFIANÇA.
Quando eu comecei a me amar, entendi o quanto isso pode ofender alguém
Quando eu tentei impôr minha vontade sobre esta pessoa,
Mesmo sabendo que não era o momento certo e a pessoa não estava preparada para isso,
E que, muitas vezes, essa pessoa era eu mesmo.
Hoje, sei que isto significa DESAPEGO.
Quando comecei a amar-me
Eu pude compreender que dor emocional e tristeza
são apenas avisos para que eu não viva contra minha própria verdade.
Hoje, sei que a isso se dá o nome de AUTENTICIDADE.
Quando comecei a amar-me
Eu parei de ansiar por outra vida
e percebi que tudo ao meu redor é um convite ao crescimento.
Hoje eu sei que isso se chama MATURIDADE.
Quando comecei a amar-me
Parei de privar-me do meu tempo livre
e parei de traçar magníficos projetos para o futuro.
Hoje faço apenas o que é diversão e alegria para mim,
o que eu amo e o que deixa meu coração contente,
do meu jeito e no meu tempo.
Hoje eu sei que isso se chama HONESTIDADE.
Tratei de fugir de tudo o que não é saudável para mim,
de alimentos, coisas, pessoas, situações
e de tudo que me puxava para baixo e para longe de mim mesmo.
No início, pensava ser "egoísmo saudável",
Mas hoje eu sei que trata-se de de AMOR PRÓPRIO.
Quando comecei a amar-me
Parei de querer ter sempre razão
Dessa forma, cometi menos enganos.
Hoje eu reconheço que isso se chama HUMILDADE.
Quando comecei a amar-me
Recusei-me a viver no passado
e preocupar-me com meu futuro.
Agora eu vivo somente este momento onde tudo acontece.
Assim que eu vivo todos os dias e isto se chama CONSCIÊNCIA.
Quando comecei a amar-me
Reconheci, que meus pensamentos
podem me fazer infeliz e doente.
Quando eu precisei da minha força interior,
minha mente encontrou um importante parceiro.
Hoje eu chamo esta conexão de SABEDORIA DO CORAÇÃO.
Não preciso mais temer discussões,
conflitos e problemas comigo mesmo e com os outros,
pois até as estrelas às vezes chocam-se umas contra as outras
e criam novos mundos.
Hoje eu sei que isto é VIDA!
* * *
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