sexta-feira, 29 de junho de 2012

REFLEXÕES SEM AUTOAJUDA


Às vezes, com ou sem motivo, fico pensando na letra de algumas músicas,  me prendo a determinados trechos - versos ou frases musicais - e me ponho a conjeturar... (esse verbo 'conjeturar' é bom, fala a verdade...hahaha!)

Estou falando seriamente - melhor, tô falando sério.
Hoje é a vez de um trecho da conhecida "Aquarela" de Toquinho (aliás, acho que é tradução de uma música italiana):

"Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar
Vamos todos
Numa linda passarela
De uma aquarela
Que um dia enfim
Descolorirá..."


A finalidade maior da música é nos transportar para o sonho e a habilidade verbal dos letristas nem sempre é percebida, mas algumas vezes nos desperta e nos faz encarar a realidade.

Descolorir. Vamos, sim - todos, sem exceção - descolorindo enquanto vivemos. A pele vai perdendo o viço, o olhar tem o brilho enfraquecido, os cabelos branqueiam. Muitos de nós tentamos deter esse descolorir, o que resulta inútil e, por vezes, patético. O exagero é sempre patético.

O que incomoda talvez não seja esse esmaecimento da imagem, mas o descaso e o descrédito nas possibilidades interiores.

Muitas pessoas - nos dias atuais é cada vez mais comum - amadurecem ou envelhecem conservando vitalidade, entusiasmo, inteligência, interesse, enfim, o essencial  para a continuidade do exercício de viver. 

Na prática da vida, nas profissões comuns, entretanto, essas pessoas exaltadas e elogiadas por sua aparência não recebem a merecida atenção quando se manifestam em alguma situação, principalmente em se tratando de trabalho...  Trabalho remunerado, então, nem pensar!    É como se só devessem se dedicar a hobbies, prestação de auxílio voluntário, atividades religiosas ou assuntos de família. Os economistas diriam que perderam valor no mercado "Seu tempo já passou"; "Agora é a vez dos jovens"; "Você já trabalhou bastante, já deu sua contribuição" etc. etc.

E eu penso: é como se o tempo as descolorisse também por dentro.  Isso, sim, é difícil, doloroso e triste de se aceitar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário