segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

SIMONE DE BEAUVOIR - trecho de carta


"A impressão que eu tenho é de não ter envelhecido embora eu esteja instalada na velhice.

O tempo é irrealizável. Provisoriamente, o tempo parou pra mim. Provisoriamente. Mas eu não ignoro as ameaças que o futuro encerra, como também não ignoro que é o meu passado que define a minha abertura para o futuro.

O meu passado é a referência que me projeta e que eu devo ultrapassar. Portanto, ao meu passado eu devo o meu saber e a minha ignorância, as minhas necessidades, as minhas relações, a minha cultura e o meu corpo.

Que espaço o meu passado deixa pra minha liberdade hoje? Não sou escrava dele. 
O que eu sempre quis foi comunicar da maneira mais direta o sabor da minha vida, unicamente o sabor da minha vida. Acho que eu consegui fazê-lo; vivi num mundo de homens guardando em mim o melhor da minha feminilidade.

Não desejei nem desejo nada mais do que viver sem tempos mortos."

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Trecho da Peça VIVER SEM TEMPOS MORTOS, com Fernanda Montenegro, inspirada na correspondência de Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre.

Jean-Paul e Simone

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